A Fitch Ratings, em relatório divulgado nesta quinta-feira, 30, destacou que a nota de crédito dos Estados Unidos enfrenta o desafio de um "déficit em expansão", resultando em um peso da dívida que está "muito acima" do de outros países com a mesma classificação AA. A agência apontou que uma deterioração da posição fiscal dos EUA é esperada para este ano, em razão de cortes de impostos previstos no One Big Beautiful Bill Act, mesmo com compensações provenientes de receitas tarifárias.
O relatório da Fitch também enfatizou a relevância das eleições legislativas de meio de mandato do Congresso, programadas para novembro. A agência observou que, caso os democratas conquistem o controle de uma ou ambas as Casas do Congresso, isso pode introduzir freios e contrapesos adicionais aos poderes do Executivo. No entanto, a possibilidade de um governo dividido pode dificultar a negociação de pacotes fiscais e aumentar os riscos de impasses, especialmente sobre o teto da dívida.
A previsão de déficit do governo geral para o ano de 2023 e também para 2024 é de 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB). A Fitch expressou preocupações quanto à incerteza nas receitas tarifárias e mencionou a pressão do presidente Donald Trump por um aumento nos gastos com defesa. A estimativa de receita com tarifas, líquida de reembolsos, foi reduzida para US$ 150 bilhões em 2026, após a Suprema Corte ter derrubado em fevereiro as tarifas estabelecidas pela gestão Trump.
Apesar desses desafios, a Fitch reconheceu alguns pontos fortes que sustentam a nota de crédito dos EUA, como o papel do dólar como moeda de reserva global, a existência de uma economia robusta e dinâmica, além da profundidade e liquidez dos mercados de capitais. Em agosto de 2023, a agência já havia rebaixado a nota de crédito dos EUA em um nível, para AA+, citando preocupações sobre disputas políticas em torno do teto da dívida que quase levaram o país a um calote.

