O senador e ex-candidato nas eleições presidenciais Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil nesta terça-feira (27) com destino aos Estados Unidos, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e pelo Metrópoles, confirmada por aliados do bolsonarista, pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e por uma autoridade dos Estados Unidos à agência Reuters. A saída ocorreu em desrespeito a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que havia proibido o senador de deixar o país e ordenado a entrega de seus passaportes.
A rota da fuga, porém, foi marcada por versões contraditórias. Inicialmente, o site argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina usando o documento nacional de identidade, prática comum no Mercosul, e embarcado em um jato particular em Puerto Iguazú. O governo argentino negou oficialmente que ele tivesse entrado no país e informou não haver registro de sua passagem pela fronteira regular. Horas depois, surgiu a informação de que o senador teria despistado pessoas próximas e saído pela Venezuela, com voo partindo de Caracas — rota que a Polícia Federal também investigava.
Segundo Moraes, Flávio estava proibido de sair do Brasil e deveria entregar todos os passaportes, inclusive o diplomático, no prazo de 24 horas, no âmbito de um inquérito que investiga suspeita de lavagem de dinheiro e suposto financiamento estrangeiro de sua campanha. Os documentos não foram entregues na manhã desta terça-feira, e a Polícia Federal cancelou o passaporte brasileiro do senador no sistema, informando que oficiaria o STF sobre o descumprimento. Com a medida, ele pode ser considerado foragido da Justiça e até preso por desobedecer à ordem judicial. Ainda assim, Flávio possui cidadania italiana desde 2023, concedida pela primeira-ministra Giorgia Meloni, e poderia usar o passaporte europeu para entrar nos Estados Unidos.
De acordo com aliados, o objetivo central da viagem é formalizar um pedido de asilo político ao governo de Donald Trump. A previsão era de que a aeronave chegasse a Miami por volta das 17h desta terça-feira, e o senador alegaria ser perseguido político no Brasil para fundamentar o pedido. O governo Trump estaria ciente da saída e disposto a conceder o asilo, segundo pessoas próximas à família. A operação teria sido coordenada por uma rede restrita de aliados no Brasil e nos Estados Unidos. A assessoria de Flávio negou inicialmente a fuga, e o Departamento de Estado americano ainda não se manifestou oficialmente.
No mesmo dia da confirmação da saída, a ativista conservadora norte-americana Valentina Gomez publicou no X uma mensagem de boas-vindas ao senador: “Flávio, bem-vindo aos Estados Unidos da América. Terra dos livres, lar dos valentes. A família Bolsonaro tem meu apoio total. Vamos superar isso”. Na mesma postagem, ela questionou sem apresentar provas o resultado do segundo turno das eleições brasileiras. Embora atue na política conservadora dos EUA e use o perfil @ValentinaForUSA, Valentina não ocupa cargo de deputada ou congressista eleita no Congresso americano. O caso ocorre dois dias após a derrota eleitoral de Flávio e engrossa a lista de bolsonaristas que deixaram o país em situações jurídicas semelhantes, como o irmão Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e tem mandado de prisão aberto no Brasil.

