Em 22 de março de 2016, Flávio Dino, que na época exercia a função de governador do Maranhão, fez um discurso no Palácio do Planalto, em Brasília, onde criticou a atuação de magistrados que se envolviam em ações políticas. Ele destacou que "usar a toga para fazer política destrói o Judiciário", em um evento que tinha como objetivo registrar apoio à então presidente Dilma Rousseff, que enfrentava um processo de impeachment meses depois. Dino também afirmou que, caso juízes ou procuradores desejassem se engajar em manifestações, deveriam renunciar a seus cargos.
A declaração de Flávio Dino ganhou destaque, especialmente por seu histórico no Poder Judiciário, onde atuou como juiz federal durante 12 anos, de 1994 a 2006, no Tribunal Regional da 1ª Região. Filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ele deixou a magistratura e foi eleito deputado federal pelo Maranhão em 2006. Apesar de uma tentativa não bem-sucedida de se eleger governador em 2010, Dino conseguiu alcançar o cargo em 2014 e foi reeleito em 2018.
Na eleição de 2022, Dino trocou o PCdoB pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, já no novo partido, foi eleito senador. Contudo, não chegou a exercer o mandato, pois foi nomeado ministro do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em fevereiro de 2024, renunciou ao mandato de senador para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), o que resultou em sua desfiliação do PSB.
Atualmente, como ministro do STF, Flávio Dino tem adotado uma postura que contraria suas críticas anteriores. Ele tem tomado decisões monocráticas que impactam diretamente a política do Maranhão, conforme destacado na reportagem "O imperador do Maranhão", Publicada na Edição 337 da Revista Oeste, acessível exclusivamente aos assinantes.
A análise do papel de Dino no Judiciário levanta questionamentos sobre a imparcialidade e a separação entre os poderes, especialmente considerando suas ações atuais em contraste com suas declarações de anos atrás. Sua trajetória política, que o levou de um cargo no Judiciário para a disputa política e, posteriormente, à corte suprema, exemplifica as complexidades do ativismo judicial e suas repercussões na política local.

