O Senado, composto por 81 senadores, rejeitou a indicação de Jorge Messias, conhecido como "Bessias", para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 29 de abril. Essa decisão marca um momento inédito, pois é a primeira vez desde 1894 que uma escolha presidencial é bloqueada pelo Legislativo. Com isso, Messias, que esperava ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, continuará na presidência da Advocacia Geral da União (AGU) até pelo menos dezembro de 2023.
A rejeição da indicação de Messias é vista como um reflexo da dificuldade do presidente Lula em conseguir apoio dentro do Senado. A escolha do presidente, que tem 82 anos e é líder do Partido dos Trabalhadores (PT), gerou descontentamento, especialmente após sua opção por Messias sem consultar Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Alcolumbre expressou sua indignação em relação à falta de diálogo, mencionando que a situação era um exemplo de “pura arrogância”.
Messias, que havia sido escolhido em 2025, fez uma extensa campanha para conseguir apoio no Congresso, visitando diversos senadores. No entanto, ele não conseguiu se reunir em particular com Alcolumbre. Sua expectativa era alta ao comparecer à audiência da Comissão de Constituição e Justiça, mas o resultado não foi favorável. Entre os senadores, houve um consenso de que a decisão de vetar a indicação deveria ser respeitada, conforme ressaltou o ministro Gilmar Mendes, que reconheceu a legitimidade da votação.
Após a votação, o presidente do STF, Edson Fachin, elogiou tanto os senadores quanto o candidato rejeitado. André Mendonça, que foi um dos defensores de Messias, lamentou a derrota, afirmando que o STF perdeu uma grande chance de ter um bom ministro. A situação gerou um debate sobre a importância de manter a independência entre os poderes e a necessidade de respeito às decisões do Legislativo.
Até a manhã de sexta-feira, Lula não havia se manifestado sobre o que foi considerado um "dobro naufrágio" no Congresso. A expectativa é de que ele não tente preencher a vaga no STF até o final do ano, tendo em vista a pressão política que enfrenta e a insatisfação popular. Para muitos brasileiros, essa situação representa uma nova esperança, pois a rejeição da indicação é vista como um sinal de mudança no cenário político nacional, que pode estar se renovando após um longo período de incertezas.

