A gestora Reag, responsável pela custódia de ativos do Banco Master, realizou uma operação contábil que possibilitou a redução de cerca de R$ 560 milhões da dívida da instituição com o Banco de Brasília. Essa manobra ocorreu após a reavaliação de um empreendimento imobiliário em São Paulo, vinculado ao fundo Trevi, cujo patrimônio líquido foi multiplicado por cerca de quatro mil.
Investidores manifestaram preocupações quanto à falta de base metodológica para a nova avaliação e exigiram explicações da gestora. Os ativos do fundo foram transferidos ao BRB como parte do processo de compensação por prejuízos relacionados a operações fraudulentas que somam aproximadamente R$ 12,2 bilhões. No entanto, a substituição de carteiras não foi suficiente para cobrir o total do rombo, que deve ser de pelo menos R$ 8 bilhões.
O Banco Master investiu R$ 181 milhões no projeto do fundo Trevi, que contempla a construção de um condomínio de alto padrão em São Paulo. As operações de empréstimos realizadas entre janeiro e junho de 2024 têm taxa de 5% ao ano, acrescida de 100% do CDI, com vencimento previsto para 2029.
A avaliação do ativo saltou de R$ 409 mil para R$ 1,7 bilhão em agosto, mesmo sem a quitação das dívidas. A legitimidade dessa operação é contestada por investidores, incluindo parceiros do projeto, que questionaram a metodologia utilizada pela Reag. O Banco Central do Brasil liquidou o Banco Master em março, após indícios de emissão de títulos falsos, e investigações independentes foram contratadas para apurar os fatos.

