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Gilmar Mendes defende apuração de declarações de Zema e critica postura do governador

O ministro do STF, Gilmar Mendes, comentou sobre a notícia-crime contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, destacando a necessidade de investigar suas declarações. Mendes também criticou a CPI do Crime Organizado e levantou questões sobre as motivações de um senador.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta quarta-feira, 22, que a notícia-crime apresentada contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no âmbito do Inquérito das Fake News, visa investigar possíveis ofensas decorrentes de declarações públicas feitas pelo governador. Mendes enfatizou que o assunto não deve ser encarado como uma simples brincadeira, ao se referir a vídeos em que Zema satiriza membros da Corte. Ele mencionou que a linguagem utilizada por Zema é "muito pouco própria", sendo "entendida como ofensiva" e, portanto, necessita de uma avaliação mais cuidadosa.

Durante a entrevista concedida à jornalista Renata Lo Prete, da Rede Globo, o ministro destacou que o governador Zema teve decisões favoráveis do STF no passado, permitindo-lhe governar sem pagar dívidas à União por um período de 22 meses. Mendes questionou a conduta do governador, considerando-a inadequada diante do suporte que recebeu do tribunal. “As pessoas vêm ao tribunal, se socorrem do tribunal e depois fazem esse tipo de sapateado, o que não me parece uma postura eticamente correta”, afirmou o ministro.

Ao ser indagado se a menção à situação fiscal de Minas Gerais poderia sugerir uma dependência do tribunal, Gilmar Mendes refutou essa ideia, mas ressaltou a importância de chamar a atenção para o fato. Em entrevista à emissora Record, o ministro também criticou a clareza dos vídeos de Zema, afirmando que, em muitos momentos, o conteúdo é difícil de compreender. Mendes comparou a fala do governador a um "dialeto próximo do português", sugerindo que a comunicação poderia ser tão confusa que ele chegou a imaginar que Zema falava uma língua do Timor-Leste.

Gilmar Mendes reconheceu que, apesar da dificuldade de compreensão, os trechos que são inteligíveis devem ser analisados pelas autoridades competentes, como a Procuradoria e a Polícia Federal. O ministro também fez uma observação sobre a imunidade parlamentar, afirmando que, embora exista proteção, ela não cobre excessos.

Além de comentar sobre Zema, Gilmar Mendes criticou o relatório da CPI do Crime Organizado, que pede o indiciamento de integrantes do STF, incluindo ele mesmo, por ter concedido um habeas corpus. Ele expressou seu espanto com a iniciativa e questionou as motivações do senador Alessandro Vieira, sugerindo que poderia haver uma investigação sobre possíveis vínculos do senador com o Crime Organizado. Mendes indagou se Vieira se sentia ameaçado pelo Crime Organizado ou se estava, de alguma forma, sendo financiado por esse grupo.

A situação revela um acirrado debate sobre a relação entre o governo de Minas Gerais e o STF, além de levantar questões sobre a postura de figuras públicas em relação ao sistema judiciário. As declarações de Gilmar Mendes e a resposta de Zema acentuam as tensões existentes no cenário político atual.

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