O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, abordou nesta quinta-feira (21) a possibilidade de o Brasil adotar medidas de reciprocidade em relação à expulsão de agentes norte-americanos, após os Estados Unidos solicitarem a saída de um delegado da Polícia Federal. Alckmin destacou que o país sempre considera a "lógica da reciprocidade", mas enfatizou que o governo deve aguardar antes de tomar qualquer decisão.
A declaração de Alckmin veio em resposta à solicitação do governo dos EUA, que pediu a saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, vinculado ao caso de prisão de Alexandre Ramagem. O presidente afirmou a jornalistas que é importante analisar a situação com cautela.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou sobre a possibilidade de aplicar o princípio da reciprocidade, enfatizando que, se houver abuso por parte dos americanos em relação ao policial brasileiro, o Brasil tomará as medidas necessárias contra os agentes norte-americanos. "Não tem conversa", afirmou Lula.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou sua opinião sobre o pedido dos EUA, considerando-o infundado. Vieira ressaltou que o delegado atuava em colaboração com as autoridades locais, enfatizando a natureza dos acordos de cooperação entre Brasil e Estados Unidos.
Delegados da Polícia Federal brasileiros trabalham nos EUA, assim como agentes americanos atuam no Brasil, sendo essa relação baseada em acordos de cooperação mútua. A tensão entre os países aumentou após o governo americano, em uma mensagem publicada nas redes sociais, informar que solicitou a saída do delegado brasileiro por sua participação em atividades de monitoramento que resultaram na prisão de Ramagem.
Na mensagem, os EUA afirmaram que "nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos". O governo americano reiterou a solicitação para que o delegado brasileiro deixe o país, citando tentativas de interferência em seus processos legais.

