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Governo federal classifica correspondências a Lula como sigilosas sem prazo definido

O governo federal decidiu considerar sigilosas as cartas enviadas ao presidente Lula por autoridades. A medida contraria a Lei de Acesso à Informação e já resultou em 12 pedidos negados.

O governo federal passou a classificar como sigilosas as correspondências enviadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por chefes de Estado e outras autoridades. Essa decisão pode permitir a restrição de acesso às informações sem um prazo definido, o que contraria a Lei de Acesso à Informação (LAI).

Desde 2023, a Casa Civil negou 12 pedidos de acesso a correspondências, comunicações e convites, conforme dados do sistema Busca LAI. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência foi contatada para esclarecer os fundamentos jurídicos dessa decisão, mas até o momento não houve manifestação do governo.

A LAI estabelece três níveis de sigilo para documentos públicos: ultrassecreto, por 25 anos; secreto, por 15 anos; e reservado, por cinco anos. A classificação é determinada pelo risco que a divulgação pode representar para o Estado ou a sociedade. Ao negar os pedidos, o governo alegou que as cartas têm caráter pessoal e que o sigilo só pode ser quebrado por ordem judicial, conforme o artigo 5º, inciso XII, da Constituição.

A Controladoria-Geral da União (CGU) defendeu que a posição do presidente requer um tratamento diferenciado, afirmando que cada carta deve ser analisada individualmente antes de uma possível divulgação. A CGU e a Comissão Mista de Reavaliação de Informações mantiveram todas as negativas analisadas. No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve liberação de acesso a nove cartas, enquanto 13 pedidos foram negados.

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