A ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo, Gleisi Hoffmann, saiu em defesa do governo para tentar amenizar a forte rejeição do eleitorado confessional decorrente do desfile da Acadêmicos de Niterói.
Em uma tentativa de se aproximar da linguagem religiosa, Gleisi classificou como 'pecado' as acusações de que o presidente Lula ataca as famílias e os evangélicos. Contudo, a apuração revela que o Palácio do Planalto não apenas conhecia os detalhes da apresentação, como também avalizou as provocações levadas à avenida.
A ministra realizou duas reuniões com representantes da escola de samba ainda no ano passado. Além disso, a primeira-dama Janja Silva compareceu ao último ensaio no barracão da agremiação, evidenciando a proximidade do governo com a organização do desfile. O próprio presidente de honra da escola, o vereador Anderson Pipico, integra os quadros do PT, o que enfraquece o discurso de que o entorno de Lula desconhecia a ala intitulada 'famílias em conserva'.
Gleisi Hoffmann utilizou as redes sociais para rotular as críticas da oposição como 'oportunismo e hipocrisia'. Entretanto, uma semana antes do Carnaval, a própria ministra cantou o samba-enredo na tribuna da Câmara dos Deputados, reforçando o vínculo direto do Planalto com a homenagem.

