O feriado do Ano Novo Lunar na China transformou-se em um verdadeiro espetáculo de marketing tecnológico, assemelhando-se ao impacto comercial do Super Bowl nos Estados Unidos. Com o início do Ano do Cavalo, os desenvolvedores de Inteligência Artificial (IA) ofereceram desde bebidas grátis até o uso temporário de robôs e veículos de luxo para conquistar o público.
A estratégia reflete uma crença compartilhada por potências globais: no setor de IA, quem dominar a base de usuários agora, mesmo operando com prejuízos temporários, será o vencedor dessa corrida. A corrida contra o tempo é real, pois entre os 1,4 bilhão de habitantes da China, mais de 600 milhões já utilizam ferramentas de IA generativa.
Entre os programas de fidelidade, a Alibaba investiu mais de US$ 430 milhões em uma campanha que oferece mimos como bubble tea para quem faz pedidos via chatbot Qwen. A estratégia deu resultados: 120 milhões de pedidos foram registrados nos primeiros seis dias. A ByteDance, por sua vez, apostou alto com o chatbot Doubao, sorteando 100 mil prêmios que incluem o uso de robôs humanoides e carros elétricos das marcas Audi e Mercedes.
Para usuários como Wu Weihua, um banqueiro de 34 anos em Shenzhen que ganhou uma salada grátis ao baixar o Qwen, a conveniência é o fator decisivo. Além dos brindes e promoções, as empresas aproveitaram o feriado para lançar modelos de ponta, como o Seed 2.0 e o Qwen 3.5, focados em raciocínio avançado e compreensão visual.

