Durante o governo Bolsonaro, em 2020, Paulo Guedes, então ministro da Economia, defendeu a criação de um "microimposto" sobre transações digitais, com uma alíquota de 0,2%. A proposta, no entanto, não avançou, e o ex-secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, foi demitido em meio a divergências com Bolsonaro sobre o tema. Em março de 2025, Bolsonaro admitiu que Guedes tinha planos de taxar o Pix, mas afirmou que impediu a implementação dessa ideia, mencionando que a equipe de Guedes também queria taxar a cerveja, algo que ele não permitiu.
A declaração de Haddad se insere em uma estratégia mais ampla de sua pré-campanha, que busca fortalecer sua imagem antes das eleições. Seu principal oponente será Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo e favorito nas pesquisas. A equipe de Haddad busca associá-lo à defesa de uma maior justiça tributária, focando em uma narrativa de taxação dos super-ricos, que já foi testada em propostas como a chamada taxação BBB, que visava tributar bilionários, bancos e plataformas de apostas.
Aliados de Haddad acreditam que essa abordagem pode suavizar os efeitos políticos da chamada "taxa das blusinhas", que é a tributação sobre compras internacionais de até 50 dólares, uma política que o ex-ministro agora tenta desvincular de sua imagem. Essa estratégia pode ser crucial para a construção de sua candidatura e para o enfrentamento das críticas que surgem em relação às políticas tributárias do governo atual.

