A seleção haitiana, um dos adversários do Brasil no Grupo C da Copa do Mundo, adotará uma bandeira inusitada em suas camisas: a da Polônia. Esta escolha simboliza uma amizade que remonta ao processo de independência do Haiti, ocorrida no início do século XIX.
A história dessa relação começou em 1802, quando o Haiti estava sob domínio francês e o povo local intensificava suas lutas pela autonomia. Para conter a revolta, Napoleão Bonaparte enviou tropas ao país, incluindo soldados das chamadas "Legiões Polonesas", que faziam parte do Exército Francês. No entanto, muitos desses militares poloneses se identificaram com a causa haitiana e decidiram se unir aos revoltosos, contribuindo significativamente para a luta pela independência do Haiti.
Em reconhecimento a essa colaboração, Jean-Jacques Dessalines, o primeiro governante do Haiti, concedeu cidadania haitiana aos poloneses como forma de gratidão. Mais de 200 anos depois, essa amizade é celebrada nas camisas da seleção haitiana, que trará a imagem da proclamação da independência do Haiti, destacando a bandeira polonesa no canto inferior esquerdo.
Apesar da homenagem, a Polônia não participará do Mundial de 2026. A equipe, que esteve presente nas Copas de 2018 e 2022, foi eliminada na repescagem das Eliminatórias Europeias após uma derrota por 3 a 2 para a Suécia. Em contrapartida, o Haiti vive um momento histórico ao retornar ao torneio após 52 anos, já que sua única participação anterior ocorreu em 1974, na Alemanha Ocidental.
O Haiti enfrentará o Brasil na fase de grupos, em um jogo marcado para o dia 19, às 21h, na cidade da Filadélfia. As equipes estão no mesmo grupo que também inclui Marrocos e Escócia, prometendo um confronto interessante entre os haitianos e a seleção brasileira, que é uma das favoritas do torneio.

