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História da Igreja Católica na China: um século de desafios e negociações

A relação entre a Santa Sé e a China se consolidou ao longo de um século, marcada por um acordo sobre a nomeação de bispos e a busca por uma Igreja local. Desde 1926, a presença católica no país passou por transformações significativas, especialmente após a Revolução Cultural e as tensões com o Partido Comunista.

No dia 10 de setembro de 1926, um grupo de católicos se reuniu no Porto de Xangai para se despedir do representante da Santa Sé, Celso Costantini, e de seis sacerdotes chineses. Esse encontro marcava o início de uma viagem para a Europa a bordo do navio President Adams, escolhido por Costantini em busca de uma embarcação que não reforçasse a associação do catolicismo com potências europeias. O objetivo era claro: estabelecer uma Igreja Católica na China que fosse cada vez mais conduzida por clérigos locais e menos dependente de missionários estrangeiros.

Após 36 dias de navegação, a comitiva chegou a Roma, onde foi recebida por Pio XI. O papa demonstrou interesse em encontrar os sacerdotes, mesmo sabendo que eles não usavam vestimentas tradicionais. A cerimônia de consagração episcopal ocorreu em 28 de outubro, na Basílica de São Pedro, durante a festa de Cristo Rei, onde os padres chineses receberam o báculo, símbolo do ofício pastoral. Este evento foi um marco significativo na história da Igreja Católica na China.

Com a ascensão de Mao Tsé-Tung em 1949 e a consequente Revolução Cultural, a presença de missionários estrangeiros e a autoridade papal foram vistas como ameaças ao novo regime. O governo comunista procurou eliminar essas influências, e a relação entre a Igreja e o Estado se deteriorou. Apesar das dificuldades, a Igreja Católica continuou a existir na China, mas sob forte controle governamental.

Nas décadas seguintes, a relação entre a Santa Sé e o governo chinês se manteve tensa, até que, em 2014, as negociações começaram a avançar sob o pontificado de Francisco. Em 2018, um acordo provisório foi assinado sobre a nomeação de bispos, resultado de um processo de diálogo que, segundo o Vaticano, foi longo e cuidadoso. Contudo, o documento nunca foi publicado, e os conflitos sobre a escolha dos bispos persistiram.

Em 2022, o governo chinês nomeou John Peng Weizhao como bispo de Jiangxi, uma diocese que a Santa Sé não reconhecia. Essa ação foi considerada uma violação do acordo. Em 2023, Joseph Shen Bin foi transferido para Xangai sem a autorização de Roma, evidenciando que, apesar do tratado, as tensões continuam.

Um século após a viagem que marcou o início de uma nova era para a Igreja Católica na China, o papel do clero local se consolidou. A nacionalidade dos líderes religiosos deixou de ser um problema, mas a questão sobre quem realmente detém a autoridade na escolha dos bispos ainda se mantém em aberto, refletindo a complexidade e os desafios que permeiam a relação entre Roma e Pequim.

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