Se você tivesse estocado pentes de memória RAM há um ano, teria dobrado seu capital hoje. Essa valorização meteórica é fruto da voracidade de empresas de inteligência artificial, que estão atropelando outros setores para garantir o hardware necessário para seus supercomputadores e data centers.
O problema é que o fornecimento global depende de um trio: Samsung, SK Hynix e Micron. Juntas, elas detêm mais de 90% do mercado. Como os construtores de infraestrutura para IA aceitam pagar valores muito acima da média, os preços dos chips subiram 50% no final de 2025.
A indústria está enfrentando uma realocação permanente da produção para atender a IA em detrimento de eletrônicos de consumo. Para fabricar a chamada memória de alta largura de banda, peça essencial para os sistemas da Nvidia, empresas sacrificam a escala. Cada bit dessa memória avançada produzido retira do mercado três bits de memória DRAM convencional.
O impacto prático deve ser uma mudança drástica na composição de custos dos aparelhos. A expectativa é que a memória vá de 10% para até 30% do preço final de um celular, por exemplo. Com os estoques das grandes fabricantes já praticamente esgotados para 2026, marcas de PCs e celulares devem repassar a conta ao consumidor.


