A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deve avançar no Senado apenas depois das eleições de outubro. Aliados do governo afirmam que o Palácio do Planalto não dispõe, neste momento, dos 41 votos necessários para aprovar o nome do ministro.
Parlamentares observam que o ambiente político se deteriorou com a disputa presidencial, o que pode levar a oposição a transformar a votação em um gesto político contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um líder governista destacou que a entrada do senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial aumentou a tensão no Congresso, tornando votações relevantes no Senado mais pesadas em termos eleitorais.
Integrantes da base governista avaliam que a oposição pode usar a indicação ao Supremo para impor uma derrota ao governo. Por isso, aliados de Lula defendem que se espere o fim da disputa eleitoral para retomar as articulações necessárias.
Outro fator que influencia a estratégia do governo é o distanciamento entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Nos últimos meses, tentativas de reaproximação avançaram lentamente. Um líder governista mencionou que Lula e Alcolumbre devem conversar para tentar reduzir as tensões, que aumentaram após a decisão de Lula de indicar Jorge Messias ao STF, enquanto Alcolumbre defendia outro nome.

