A Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API) encaminhou um ofício à governadora do Distrito Federal, Celina Leão, solicitando a regularização dos pagamentos referentes ao Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e os recursos necessários para a realização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
No documento, enviado na última sexta-feira (7/8), a API destaca que o setor audiovisual do DF enfrenta uma interrupção nos pagamentos do FAC, o que gera um "risco concreto" de cancelamento do festival. Além disso, a associação menciona a situação do Cine Brasília, alertando para a possibilidade de perda de cerca de R$ 30 milhões em investimentos federais.
O alerta da entidade ocorre após a organização do Festival de Brasília informar que não recebeu a primeira parcela dos recursos para a edição deste ano, que deveria ter sido disponibilizada em maio. O festival está programado para acontecer entre os dias 11 e 19 de setembro.
A API ressalta que os atrasos nas parcelas de projetos contemplados pelo FAC já estão impactando diversas empresas e profissionais do audiovisual. A associação também enfatiza que essa situação compromete a capacidade do Distrito Federal em oferecer a contrapartida necessária para acessar os recursos dos Arranjos Regionais do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
O Secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Cláudio Abrantes, e a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Oliveira Gonzaga, foram mencionados no contexto da cobrança de recursos. De acordo com o ofício, o GDF precisa liberar aproximadamente R$ 5 milhões como contrapartida; caso contrário, o Distrito Federal pode deixar de receber cerca de R$ 30 milhões em recursos federais destinados ao setor audiovisual.
A API também recordou que, ao longo de quase seis décadas, o festival só não ocorreu em dois anos, durante a ditadura militar, e que mesmo durante a pandemia de Covid-19 ele não foi interrompido. Para a associação, um eventual cancelamento por falta de financiamento representaria uma ruptura significativa na política cultural do Distrito Federal.

