A resistência bacteriana tem se intensificado, com previsão de mais de 8 milhões de mortes anuais até 2050. A ciência encontrou na inteligência artificial (IA) uma aliada para acelerar a busca por curas, permitindo que testes que antes levavam anos sejam realizados em horas. O professor James Collins, do MIT, destacou que a IA facilita a análise de vastas bibliotecas de compostos químicos para identificar atividades antibacterianas rapidamente.
Na Universidade de Cambridge, pesquisadores estão aplicando aprendizado de máquina para enfrentar a doença de Parkinson, que ainda não possui tratamento que impeça sua progressão. O professor Michele Vendruscolo explicou que a IA pode analisar bilhões de moléculas em dias, ao contrário dos métodos tradicionais, que são mais demorados e custosos. A equipe já identificou novos compostos que podem ajudar a estabilizar proteínas envolvidas na neurodegeneração.
Outra aplicação inovadora é o reposicionamento de medicamentos já existentes. O professor David Fajgenbaum, da Universidade da Pensilvânia, exemplificou esse processo ao utilizar um remédio para transplante de rim no tratamento de sua rara doença de Castleman. Organizações e pesquisadores em Harvard estão utilizando IA para cruzar medicamentos aprovados com diversas doenças, priorizando aquelas raras e muitas vezes esquecidas pela indústria farmacêutica.
Apesar dos progressos, a IA ainda enfrenta desafios, especialmente na triagem inicial e na falta de dados sobre toxicidade que são mantidos em sigilo por farmacêuticas. Especialistas, como Jun Ding da Universidade McGill, preveem que em até dez anos a maioria do desenvolvimento de novos medicamentos será orientada por IA, criando não apenas curas, mas também estabilizando doenças antes dos primeiros sintomas.

