A possibilidade da internet via satélite substituir as redes 4G e 5G tem gerado discussões cada vez mais intensas, especialmente com o avanço das tecnologias e a crescente popularização de serviços destinados a áreas remotas. Entretanto, especialistas afirmam que essa questão não possui uma resposta simples.
Uma das principais diferenças entre as tecnologias está na infraestrutura utilizada. As redes 4G e 5G dependem de antenas terrestres, que são posicionadas em áreas urbanas. Em contrapartida, a internet via satélite opera a partir de dispositivos localizados em órbita, o que impacta diretamente na forma como cada uma delas funciona.
De acordo com Altair Olivo Santin, engenheiro da computação e professor na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a latência e a velocidade são fatores que diferenciam significativamente essas tecnologias. A latência, que se refere ao tempo de resposta entre o envio e o recebimento de dados, na rede celular varia entre 10 a 1 milissegundo, enquanto na internet via satélite pode chegar a 40 a 50 milissegundos. Isso evidencia que, apesar das melhorias na tecnologia de satélites, ainda há uma desvantagem em termos de velocidade de resposta.
Além disso, Santin destaca que a velocidade média da internet via satélite tende a ser inferior, podendo ser cerca de metade da velocidade oferecida pelas redes 4G e 5G. Essa característica faz com que as redes móveis sejam mais adequadas para ambientes urbanos e aplicações que demandam baixa latência, enquanto a internet via satélite se mostra mais eficaz em regiões remotas e em situações de mobilidade.
Outro ponto relevante é o custo de instalação das antenas. Em áreas urbanas, a concentração de usuários torna viável o investimento em infraestrutura para 4G e 5G. Entretanto, em locais remotos, onde a densidade de usuários é menor, essa instalação se torna economicamente inviável, fazendo da internet via satélite uma alternativa mais acessível.
Portanto, a internet via satélite não deve ser vista como uma substituta das redes 4G e 5G, mas sim como uma tecnologia complementar. Cada uma delas possui características que atendem a diferentes necessidades. Assim, o futuro da conectividade parece estar na colaboração entre essas soluções, com redes móveis garantindo velocidade e baixa latência nas áreas urbanas, enquanto a internet via satélite proporciona acesso em escala global.

