A Família Vorcaro, que teve controle sobre o Banco Master, está sendo investigada por possíveis irregularidades relacionadas a transferências patrimoniais para o exterior. A apuração ganhou destaque após a descoberta de um memorando nos e-mails de Daniel Vorcaro, documento que foi obtido pela EFB Regimes Especiais, encarregada da liquidação do banco nos EUA. O conteúdo do memorando foi divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo e sugere a existência de um esquema para ocultar ativos fora do Brasil.
O memorando aponta que Henrique Vorcaro, pai de Daniel, realizava a aquisição de bens através de intermediários, enquanto Daniel seria o verdadeiro beneficiário dos ativos. A estratégia descrita no documento estabelece que Henrique deveria transferir imóveis e empresas para seu filho sempre que solicitado, por um valor simbólico de R$ 1,00, o que levanta suspeitas sobre a real intenção dessas transações.
O liquidante responsável pela liquidação do Banco Master considera que a cláusula que permite transferências por R$ 1,00 é uma clara evidência de uma tentativa de esconder patrimônio de possíveis credores e da Justiça. O memorando detalha que "tão logo solicitado por Daniel, Henrique se compromete a transferir companhias, SPEs, propriedades de imóveis diretamente a Daniel, pelo valor de R$ 1,00 (hum real) cada". Além disso, estabelece que Daniel tem a opção irrevogável de compra de todo o Patrimônio Imobiliário pelo mesmo valor simbólico.
Outro ponto relevante do documento é que, em caso de liquidez envolvendo os ativos do Patrimônio Imobiliário, Henrique deverá repassar 50% do valor obtido a Daniel, seja em moeda corrente nacional, imóveis ou outros ativos. O memorando também menciona a gestora Iron Capital, a qual Daniel possui opção de compra, e que está sob investigação por estruturar operações financeiras consideradas irregulares em relação ao Banco Master. A empresa é citada na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes e manipulação de mercado associadas ao grupo Vorcaro.
Esse documento foi anexado a um processo judicial que tenta barrar a quarta tentativa dos advogados da Família Vorcaro de impedir, na Justiça dos EUA, a coleta de provas. A intenção é evitar que intimações a instituições financeiras, empresas imobiliárias, companhias de aviação e galerias de arte resultem na entrega de registros de transações financeiras.
O liquidante utiliza o memorando para contestar as declarações prestadas sob juramento por Henrique Vorcaro, que afirmou à Justiça dos EUA não ter negócios ou contratos em seu nome no país. No entanto, o conteúdo do memorando sugere que Henrique atuava como gestor dos bens de Daniel, o que poderia justificar a jurisdição do tribunal da Flórida sobre ele.

