A relação entre Irã e Estados Unidos continua tensa, com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmando que o país não possui planos para realizar uma nova rodada de negociações de paz. A declaração foi feita na manhã da última segunda-feira (20), quando o porta-voz destacou: "Até o momento, não temos planos para uma próxima rodada de negociações".
A negativa de Teerã ocorre em meio a um cenário de incerteza após a apreensão de um navio de bandeira iraniana pelos EUA, provocando uma reação imediata do governo iraniano. Enquanto isso, o vice-presidente americano, JD Vance, seguiu viagem ao Paquistão na mesma data, acompanhado por outros membros da administração. A Casa Branca informou que autoridades dos EUA participarão de futuras tratativas em Islamabad, informação que foi desmentida pela mídia estatal do Irã.
O impasse se torna ainda mais crítico às vésperas do término do cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã, previsto para ocorrer na próxima quarta-feira (22). Em um contexto de aumento das tensões, o presidente Donald Trump anunciou no domingo (19) o envio de uma delegação para novas conversações, além de ameaçar o Irã por uma suposta "violação total" da trégua. "Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável. Se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes do Irã", escreveu Trump em uma rede social.
Apesar do anúncio de Trump, Teerã deixou claro que não participará de negociações no Paquistão. A decisão foi divulgada pela agência Irna e acaba por complicar ainda mais o já difícil diálogo entre as nações, especialmente a apenas três dias do fim do cessar-fogo. O governo iraniano acusa Washington de fazer exigências excessivas e de não respeitar a trégua, o que, segundo os aiatolás, torna incerta a possibilidade de negociações bem-sucedidas.
Os obstáculos para o diálogo são alimentados pelo programa nuclear do Irã e pelas exigências de segurança que o país busca garantir. Enquanto os EUA pressionam por restrições mais severas, o Irã insiste na ausência de confiança com os americanos. O chanceler Abbas Araghchi já havia indicado anteriormente uma "distância significativa" entre as partes, apesar de ter havido alguns avanços pontuais.
A tensão na região se intensifica também nas águas do Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima pela qual transita cerca de 20% do petróleo mundial. O Irã tem alternado entre reabrir e restringir a rota em resposta ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. Recentemente, forças iranianas realizaram disparos contra petroleiros de bandeira indiana, embora não tenham causado feridos, elevando ainda mais a pressão entre os países envolvidos.

