O jornalista e youtuber Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, foi indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul no dia 7 de setembro, sob a acusação de discriminação religiosa. A ação é resultado de declarações feitas por ele em um vídeo publicado em janeiro deste ano nas redes sociais.
Na gravação, Peninha teria afirmado que evangélicos não deveriam ter o direito ao voto, descrevendo este grupo religioso como "nefasto e desprezível". O conteúdo gerou repercussão significativa antes de ser removido das plataformas digitais por ordem judicial, medida que ocorreu durante o andamento das investigações.
A investigação foi iniciada pela Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, após uma notícia-crime ser registrada. Os autores da denúncia foram o vereador de Porto Alegre Tiago Albrecht e a deputada federal suplente Sâmila Monteiro, ambos filiados ao partido Novo. Sâmila Monteiro justificou a denúncia alegando que a liberdade religiosa e o direito ao voto são princípios fundamentais da democracia.
Tiago Albrecht destacou que o indiciamento de Peninha reflete uma situação que ultrapassou as divergências políticas, configurando uma possível violação legal. Ele enfatizou que nenhum cidadão deve ser considerado inferior ou ter seus direitos políticos limitados por sua fé, ressaltando que a democracia exige respeito às diferenças de opinião.
Os dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em junho de 2025, revelam que os evangélicos representam mais de 26% da população brasileira, cerca de 50 milhões de pessoas. Essas informações reforçam a gravidade das declarações feitas por Peninha, impactando uma parcela significativa da sociedade.
O indiciamento se baseou no artigo 20, parágrafo 2º, da Lei Federal 7.716/1989, que tipifica a discriminação religiosa realizada por meio de comunicação social ou internet. Após a conclusão do inquérito policial, o caso será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá sobre a apresentação de denúncia à Justiça. Durante seu interrogatório na delegacia, o jornalista optou por permanecer em silêncio.

