Os Estados Unidos apresentaram a censura a empresas de tecnologia como uma das razões para a imposição de tarifas de 25% sobre certos produtos brasileiros. Na última quarta-feira, 15, Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), destacou que o Brasil penaliza essas companhias por não aceitarem censurar discursos políticos.
Essa declaração surge meses após empresas norte-americanas contestarem publicamente e na Justiça decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em fevereiro de 2023, a plataforma Rumble e a Trump Media, responsável pela rede social Truth Social, processaram Moraes em um tribunal na Flórida, alegando que suas ordens violavam a Constituição dos EUA ao imporem restrições a plataformas localizadas no país.
Em 2024, a rede social X revelou ofícios que ordenavam o bloqueio de perfis, a entrega de informações de usuários e a aplicação de multas em caso de descumprimento. A plataforma também mencionou ter recebido “pedidos de censura” direcionados a usuários do Brasil, dos EUA e da Argentina.
Vale ressaltar que o comunicado do USTR não faz menção a casos específicos de censura. Nem o anúncio nem o documento oficial da investigação citam diretamente Moraes, o STF, a Rumble, o X ou a Truth Social. A administração de Donald Trump se refere apenas a “empresas norte-americanas de tecnologia”, sem detalhar episódios concretos.
Greer argumentou que as práticas adotadas pelo Brasil dificultam a competição justa para empresas, trabalhadores e produtores norte-americanos no mercado brasileiro. Ele revelou que os dois governos mantiveram negociações durante um ano, mas não conseguiram chegar a um consenso. O USTR, no entanto, permanece aberto a futuras discussões com o Brasil.

