Osmar Ricardo Cabral Barreto, uma das lideranças mais reconhecidas do Partido dos Trabalhadores (PT) Em Pernambuco, concedeu uma entrevista ao jornalista Raul Holderf Nascimento, na qual abordou temas relevantes sobre a política local. Atualmente em seu sexto mandato na Câmara Municipal do Recife e presidente licenciado do Diretório Municipal do PT, Osmar revelou detalhes sobre as relações entre petistas e socialistas no estado, além de críticas à gestão municipal.
Durante a conversa, Osmar Ricardo destacou que o presidente Lula não deve subir no palanque de João Campos no primeiro turno das eleições para o governo de Pernambuco. Essa decisão, segundo ele, não se limita apenas a Pernambuco, refletindo uma estratégia mais ampla do núcleo nacional do PT, que busca cautela na formação de alianças em diferentes estados.
O dirigente mencionou que há uma tentativa constante por parte do grupo de João Campos de associar sua imagem à de Lula. Ele fez referência a um evento em que o ex-presidente nacional do PSB participou, mas ressaltou que as diferenças políticas entre os dois partidos permanecem significativas. Essa mudança de estratégia é vista como uma tentativa de fortalecer a imagem do PSB em relação ao PT, o que gera tensões internas.
A análise de Osmar também incluiu a gestão do Recife, a qual ele criticou severamente, além de relatar conflitos que marcaram sua trajetória dentro do PT. Ele acredita que uma eventual derrota do PSB nas próximas eleições poderia reverter a correlação de forças entre as legendas e reestabelecer um papel mais relevante para o PT Em Pernambuco.
A posição de Osmar Ricardo, que possui décadas de militância no PT e um histórico de liderança na Câmara do Recife, pode ser interpretada como uma continuidade de sua trajetória, ao invés de uma ruptura. Sua resistência a uma aliança com João Campos reflete uma disputa pelo espaço político que o PT ocupa atualmente, especialmente em um contexto onde o PSB tem consolidado sua hegemonia nas últimas décadas.
Esse cenário levanta a questão sobre o futuro do PT Em Pernambuco. Osmar busca não apenas apoiar Raquel Lyra, mas também reivindicar um papel mais ativo e independente para a legenda, em vez de permanecer sob a influência do PSB, ao qual o PT se aproximou ao longo dos anos. Ele defende que o partido deve lutar para retomar o protagonismo que já exerceu no estado e, em especial, na capital, Recife.

