O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, anunciou neste domingo, 13, sua intenção de solicitar ao Comitê Central de Eleições de Israel a exclusão de duas chapas de maioria árabe das eleições marcadas para 27 de outubro. As chapas em questão são o Ra’am, sob a liderança de Mansour Abbas, e a Lista Conjunta, que é composta por Hadash, Ta’al e Balad. A legenda governista argumenta que não deveria haver espaço no Knesset, o Parlamento israelense, para grupos que, em sua visão, comprometem a segurança dos soldados israelenses, especialmente por não classificarem Hamas e Hezbollah como organizações terroristas.
A participação de políticos árabes na política israelense tem suas raízes no início do sistema parlamentar do país. Nas primeiras eleições nacionais, realizadas em 25 de janeiro de 1949, a Lista Democrática de Nazaré, que representava a população árabe, conseguiu 7.387 votos e elegeu dois membros para a Assembleia Constituinte, que mais tarde passou a ser chamada de Knesset. Desde então, a presença de partidos e candidatos árabes nas disputas eleitorais se tornou uma constante na política israelense.
A legislação israelense prevê, no entanto, condições que podem levar à exclusão de partidos e candidatos. Esses critérios incluem a negação de Israel como um Estado judeu e democrático, incitação ao racismo ou apoio a ações armadas contra o país por parte de Estados inimigos ou organizações terroristas. Diversas forças políticas têm utilizado essas diretrizes para apresentar pedidos de desqualificação ao Comitê Central de Eleições.
A Suprema Corte de Israel tem atuado em várias ocasiões para garantir a participação de partidos e candidatos árabes, intervenindo em decisões de exclusão tomadas pelo comitê. Em 2003, por exemplo, o tribunal restabeleceu a candidatura do Balad e de Azmi Bishara. Em anos subsequentes, como em 2009, 2013, 2015 e 2020, a Corte também reverteu proibições a candidaturas árabes. Em 2022, todos os nove ministros da Corte decidiram, de forma unânime, permitir que o Balad participasse das eleições.
No contexto atual, o Ra’am fez história ao incluir o ex-deputado Yoav Segalovitz, que foi membro do Yesh Atid e ex-chefe da unidade nacional de combate ao crime, Lahav 433, em sua chapa. Essa é a primeira vez que um candidato judeu é apresentado pelo partido em uma eleição para o Knesset.
Além da ação do Likud, o partido Otzma Yehudit, liderado pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, também solicitou a exclusão do Ra’am. A justificativa é a alegação de que o partido nega a natureza judaica do Estado de Israel e apoia a luta armada contra o país. Em resposta, o partido Democratas, sob a liderança de Yair Golan, anunciou uma iniciativa para tentar impedir a participação do Otzma Yehudit na eleição, alegando questões relacionadas ao racismo e ao caráter democrático do Estado.

