Durante o lançamento do Novo Desenrola Brasil, realizado na segunda-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração que ressoa com a filosofia de seu governo. Ele enfatizou que é "muito bom que o povo tenha capacidade de se endividar", uma afirmação que provoca reflexões sobre a visão econômica atual.
A Medida Provisória, que faz parte do programa, permite que trabalhadores utilizem até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas, como cartão de crédito, cheque especial e FIES. O Novo Desenrola promete descontos que variam de 30% a 90% para aqueles que possuem uma renda de até R$ 8 mil, tornando a renegociação de dívidas mais acessível.
É interessante notar que, enquanto o governo promove um programa para ajudar na quitação de dívidas, o presidente aplaude o endividamento do povo. Essa situação pode ser comparada a um bombeiro que celebra o incêndio enquanto tenta apagá-lo com uma mangueira.
Lula também lembrou a crise financeira de 2008, quando incentivou a população a não temer o endividamento, argumentando que essa atitude ajudaria a movimentar a economia. Ele afirmou que a responsabilidade é crucial nesse contexto, destacando que o desejo de consumir deve ser acompanhado pela conscientização sobre as condições de pagamento.
Entretanto, um governo que mantém juros altos e uma carga tributária elevada parece transferir a responsabilidade da gestão financeira para o cidadão. Enquanto o Estado continua a gastar sem limites, a mensagem é que o cidadão deve se adaptar e calcular suas dívidas de forma eficaz.
Essa lógica sugere uma visão em que o endividamento é visto como uma forma de estimular a economia. O consumo financiado se torna a única métrica de bem-estar social, onde um povo endividado é sinônimo de uma economia em movimento. Nesse cenário, o FGTS, um recurso dos trabalhadores, é utilizado como ferramenta para apagar incêndios gerados por um modelo econômico que promove o consumo imediato.

