A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais gerou uma resposta imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante um evento oficial, o presidente expressou seu descontentamento com a medida, que foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio.
O enquadramento das facções brasileiras ocorre em um contexto de articulação política liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, que se reuniu com o ex-presidente Donald Trump no dia 26 para sugerir essa classificação. Nos dias seguintes, Bolsonaro também discutiu o assunto com o vice-presidente J.D. Vance e com Rubio, logo antes do anúncio oficial das sanções.
Lula, ao se referir ao secretário de Estado dos EUA, mencionou “um tal de Marco Rubio” e reconheceu a gravidade das ações do PCC e do CV, mas defendeu que o combate a essas facções deve ser realizado pelas autoridades brasileiras. "Eu tô muito triste hoje", declarou o presidente, ressaltando que essas organizações são uma ameaça para as comunidades locais, afirmando que elas "roubam o direito de viver livremente".
O presidente ainda destacou a influência negativa que essas facções exercem sobre as famílias nas periferias, afirmando: "Nós vamos combatê-los aqui dentro". Lula argumentou que os criminosos operando no Brasil não se encaixam no perfil de ameaças que o governo Trump costuma monitorar, citando o caso do terrorista Osama Bin Laden, que foi morto em maio de 2011.
O Departamento de Estado dos EUA formalizou a nova classificação jurídica e financeira para o PCC e o Comando Vermelho, informando que essas organizações possuem milhares de integrantes e são responsáveis por atos violentos na região. O comunicado da Casa Branca ainda enfatizou que a atuação dessas facções extrapola as fronteiras brasileiras, afetando até mesmo o território dos Estados Unidos. A nova medida passará a valer a partir de 5 de junho deste ano.
Marco Rubio anunciou que o governo americano utilizará todos os recursos administrativos disponíveis para cortar as receitas do narcotráfico associadas a esses grupos.

