Cláudia Márcia de Carvalho Soares, juíza do Trabalho aposentada, recebeu quase R$ 710 mil líquidos em salários ao longo de 2025. Ela ganhou notoriedade ao reclamar, durante audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), da ausência de reajuste anual e dos gastos com "lanche e café". A magistrada se posicionou contra decisões que suspenderam o pagamento de benefícios não previstos em lei.
Embora o subsídio mensal da categoria seja superior a R$ 40 mil, as verbas indenizatórias e "direitos eventuais" aumentaram os ganhos da juíza, que recebeu cerca de R$ 130 mil apenas em dezembro. Desde agosto de 2024, a magistrada possui isenção de Imposto de Renda, garantida por lei a trabalhadores com doenças graves.
Durante sua argumentação, Cláudia afirmou que juízes de primeiro grau arcam com despesas como combustível e não têm acesso a apartamentos funcionais ou planos de saúde. A juíza destacou que desembargadores no Rio de Janeiro também enfrentam dificuldades de estrutura, mencionando a falta de lanches e café.
As declarações da magistrada geraram críticas entre ministros do STF, que consideraram os discursos como um "descolamento" da realidade. O STF adiou para 25 de março a análise das liminares que suspenderam os pagamentos acima do teto constitucional, criando um grupo de trabalho para estabelecer regras sobre as verbas indenizatórias do funcionalismo.

