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Marlon Reguelin analisa queda da bolsa e desafios fiscais do novo governo Lula

Jornalista compara a economia brasileira a uma ladeira abaixo após a reeleição de Lula, com tombo de 13,88% na bolsa e dólar a R$ 5,40, e alerta para dívida pública crescente.

O jornalista Marlon Reguelin publicou análise sobre o cenário econômico brasileiro após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, comparando a situação a uma ladeira descendente. Segundo ele, no dia seguinte ao pleito, a bolsa de valores abriu em queda livre e acionou o circuit breaker às 9h57, interrupção automática dos negócios que não ocorria desde março de 2020. O Ibovespa fechou com tombo de 13,88%, a maior queda diária desde setembro de 1998, enquanto o dólar saltou cerca de 8%, atingindo R$ 5,40.

O risco-país subiu 26% e os juros longos dispararam quase três pontos percentuais. O Tesouro Nacional precisou cancelar leilões e recomprar R$ 7,1 bilhões em títulos para conter a volatilidade. Reguelin atribui o movimento não apenas ao susto com o resultado eleitoral, mas à certeza do mercado de que a política fiscal seguirá expansionista. Ele cita Levantamento do Estadão que contabilizou R$ 354 bilhões em despesas e renúncias fiscais no ano eleitoral, sendo R$ 180,6 bilhões em crédito e subsídios, R$ 69,6 bilhões em benefícios sociais e R$ 68,5 bilhões em renúncias tributárias. O Poder360, com outra metodologia, chegou a R$ 403,2 bilhões.

O texto destaca ainda o crescimento da dívida pública bruta, que em junho atingiu R$ 10,8 trilhões, equivalentes a 81,9% do Produto Interno Bruto. O Boletim Focus projeta 83,4% ao fim deste ano e 87% em 2027. A Selic está em 13,75% após cinco cortes consecutivos, e a economista Solange Srour, chefe de macroeconomia do UBS no Brasil, alerta que as despesas públicas crescem perto de 6% ao ano acima da inflação, com risco de recessão e alta de juros. Reguelin compara a situação do Paraná, que entrega R$ 27,6 bilhões em caixa e dívida líquida negativa, com a União, que acumula dívida trilionária.

O articulista também aborda a violência, citando pesquisa Quaest em que 73% dos brasileiros afirmam que a criminalidade aumentou. O Comando Vermelho está presente em 22 Estados e o PCC em 25, segundo o texto. No Rio de Janeiro, zonas eleitorais foram remanejadas por causa do domínio de facções, e Em São Paulo uma investigação ligou o PCC a 12 das 22 empresas de ônibus da capital. Reguelin menciona a avaliação da agência Fitch, que mantém o Brasil em BB, dois degraus abaixo do grau de investimento, e cobra ajuste fiscal crível.

Por fim, o jornalista observa que mais de 30 empresas deixaram a B3 nos últimos dois anos, como a JBS, que optou por Nova York. Ele conclui que a legitimidade eleitoral de Lula, com 51,79% dos votos válidos segundo o Tribunal Superior Eleitoral, não significa cheque em branco, e que o mercado, em linguagem de números, demonstrou descrença na mudança de rumo fiscal.

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