Um título mal formulado em uma reportagem publicada pela Revista Oeste na semana passada acabou servindo de combustível para uma nova narrativa contra Cristina Graeml (PSD). A partir da forma como a informação foi apresentada, o candidato Deltan Dallagnol (Novo), cuja elegibilidade ainda é alvo de questionamentos na Justiça, passou a fazer declarações tentando associar Cristina ao PT — partido que está, justamente, entre os adversários políticos que ela historicamente combateu.
Segundo Deltan, o simples fato de Cristina também ter recorrido à Justiça Eleitoral para questionar possíveis irregularidades relacionadas ao uso de inteligência artificial em propaganda eleitoral seria suficiente para colocá-la em suposto alinhamento com o PT contra sua candidatura.
A narrativa, porém, ignora uma diferença fundamental: são situações completamente distintas.
Enquanto o PT e seus aliados questionam judicialmente a própria candidatura de Deltan, Cristina recorreu à Justiça Eleitoral para pedir que sejam observadas as regras relativas à utilização e à identificação de conteúdos produzidos com inteligência artificial. Não se trata, portanto, de um pedido para retirar Deltan da disputa, mas de um questionamento sobre uma possível irregularidade em sua propaganda.
Além disso, é importante lembrar que a judicialização da campanha não começou com Cristina. A própria coligação que apoia Deltan já havia recorrido à Justiça Eleitoral contra a campanha de sua adversária, dando início a uma verdadeira temporada de disputas judiciais entre os candidatos.
Cristina nunca afirmou que gostaria de ver os demais concorrentes fora da disputa. Muito pelo contrário. Em entrevistas, a candidata do PSD já declarou que torce para que todos aqueles que desejam disputar as eleições possam fazê-lo, justamente para que o eleitor tenha mais opções na hora de escolher.
Por isso, transformar uma representação eleitoral relacionada ao uso de inteligência artificial em uma suposta aliança política com o PT parece muito mais uma estratégia de narrativa eleitoral do que uma descrição fiel dos fatos.
Afinal, questionar uma possível irregularidade eleitoral não significa necessariamente querer eliminar um adversário da disputa.
Em uma eleição marcada cada vez mais pela judicialização, pelas redes sociais e pela guerra de versões, é preciso separar os fatos das narrativas construídas para tentar prejudicar uma candidata – no caso Cristina Graeml.

