A Microsoft anunciou um plano para evitar que a expansão de seus data centers de inteligência artificial eleve o custo da energia para cidadãos nos Estados Unidos. O plano, batizado de “Community-First AI Infrastructure”, vem num momento de pressão política e social sobre o consumo energético massivo das big techs. O presidente dos EUA, Donald Trump, usou suas redes sociais para anunciar que outras gigantes do setor devem seguir o mesmo caminho.
O plano da Microsoft foca num modelo de tarifação diferenciada, no qual a empresa solicita às concessionárias e comissões públicas que suas taxas sejam elevadas. Essa abordagem visa isolar o impacto financeiro da infraestrutura de IA, impedindo que o custo de novas subestações ou linhas de transmissão seja diluído nas faturas residenciais. A Microsoft justifica a decisão reconhecendo que, embora a IA traga benefícios econômicos, é politicamente inviável pedir que o público financie essa evolução.
A demanda de energia dos data centers americanos pode triplicar até 2035, atingindo 640 terawatts-hora anuais, o que coloca pressão inédita sobre a rede elétrica. Para mitigar isso, a Microsoft se comprometeu a colaborar de forma transparente com as concessionárias. Entre os gestos, estão compartilhar projeções de consumo e contratar energia com antecedência. Além do custo financeiro, a companhia busca eficiência tecnológica ao utilizar a própria IA para otimizar o resfriamento de seus servidores.
A estratégia de “boa vizinhança” serve também para destravar projetos que enfrentam resistência local devido ao medo de inflação nos serviços básicos. Pelo menos 25 projetos de data centers foram cancelados recentemente nos EUA após protestos de comunidades preocupadas com o impacto ambiental e financeiro. O plano amplia investimentos em treinamento e recursos hídricos, com a meta de melhorar a eficiência do uso hídrico em 40% até 2030


