A ministra Morgana Richa, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), concedeu uma entrevista em seu gabinete em Brasília, onde abordou temas relevantes do mercado de trabalho, como a reforma trabalhista e a inteligência artificial. Richa destacou que o avanço da tecnologia não necessariamente elimina empregos, mas provoca a substituição de funções e a criação de novas atividades, o que exige atenção do Judiciário para questões de vieses algorítmicos e proteção de dados dos trabalhadores.
Em relação ao debate sobre o fim da escala 6×1, a ministra considerou a possibilidade de redução da jornada uma discussão válida, mas ressaltou a necessidade de cautela devido aos impactos econômicos e funcionais nos setores. Ela também comentou sobre os efeitos da reforma trabalhista de 2017, que buscou racionalizar o volume de demandas na Justiça do Trabalho, refletindo em um acervo de aproximadamente 600 mil processos atualmente no TST.
Richa mencionou que, ao assumir o cargo, o TST tinha mais de 28 mil processos, um número superior ao do Supremo Tribunal Federal. Embora a reforma tenha inicialmente levado a uma redução nas ações, ajustes na jurisprudência e decisões relacionadas à justiça gratuita resultaram em um aumento novamente expressivo, atingindo o maior volume de ações trabalhistas em cerca de 20 anos.
A ministra também comentou sobre o equilíbrio entre a proteção do trabalhador e a segurança jurídica para o empregador, afirmando que as mudanças geraram debates intensos, com visões divergentes sobre o impacto da reforma trabalhista nas relações de trabalho.

