O Palácio do Planalto intensifica seus esforços para obter o controle da mineradora Vale, utilizando a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, em uma nova estratégia que remete a métodos já utilizados no passado. A movimentação ocorre às vésperas do início da campanha eleitoral, o que desperta preocupações sobre a legalidade e a ética dessa iniciativa.
Desde junho, as ações em direção à Vale têm se intensificado, culminando na renúncia de Daniel Stieler da presidência do conselho de administração no dia 6 de julho. Stieler, indicado durante a gestão de Jair Bolsonaro, enfrentou pressão da Previ, que solicitou sua destituição sob alegações de problemas de governança que foram posteriormente rechaçadas pelo próprio colegiado. Apesar disso, o executivo optou por não se envolver em novos conflitos.
Com a saída de Stieler, a Previ se prepara para eleger Manuel Oliveira como seu novo presidente, contando com o apoio do ministro de Minas e Energia. Essa manobra está alinhada aos interesses de Lula e de Janja, que já influenciaram a nomeação de Taciana Medeiros para o Banco do Brasil. Taciana, por sua vez, foi responsável por indicar Márcio Chiumento para o comando da Previ, que se tornou uma peça central na estratégia de controle da Vale.
A situação é ainda mais complexa devido a investigações envolvendo a ANM (Agência Nacional de Mineração) e o Serviço Geológico, em que figuras como Rodrigo de Melo Teixeira e Caio Mário Trivellato Seabra Filho foram presos. As apurações das operações Rejeito e Parcours revelaram um esquema que envolvia a emissão de pareceres e validação de licenças ambientais de forma irregular, beneficiando empresários próximos ao governo.
Além disso, Daniel Vorcaro revelou ter repassado R$ 20 milhões para o caixa 2 da campanha de Silveira ao Senado, levantando questões sobre o uso de recursos ilícitos em campanhas políticas. Esse cenário não apenas sugere uma nova tentativa de ingerência sobre a Vale, mas também evoca práticas já exploradas pela Lava Jato durante o escândalo do petrolão, trazendo à tona preocupações sobre a repetição de um modus operandi que poderia comprometer a integridade do setor mineral e a governança da empresa.

