O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, tomou a decisão de rejeitar a proposta de delação premiada apresentada pelos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como 'Beto Louco', e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de 'Primo'. Ambos são apontados como supostos membros do Primeiro Comando e estão relacionados à Operação Carbono Oculto, uma das maiores investigações contra a facção criminosa e suas conexões com empresas de fachada na região da Faria Lima, em São Paulo.
Na avaliação de Paulo Sérgio, os dois empresários, que ocupam posições de liderança na estrutura criminosa, não forneceram informações que atendam às exigências legais para a delação. O procurador afirmou que os colaboradores apresentaram uma "confissão seletiva", deixando "pontos cegos" em suas narrativas e, em alguns momentos, negando completamente seu envolvimento nas atividades ilícitas.
A proposta de delação foi feita através do advogado Guilherme San Juan, que alegou que as informações que 'Beto Louco' e 'Primo' estavam dispostos a oferecer poderiam ter um grande impacto, incluindo revelações sobre propinas recebidas por políticos e agentes públicos dos Três Poderes. Segundo a defesa, as informações teriam o potencial de abalar a estrutura política do país, com a possibilidade de "derrubar meio Congresso".
Entretanto, o procurador-geral de Justiça não considerou as alegações dos empresários como suficientemente robustas. Ele destacou que a legislação exige que o colaborador narre todos os fatos relacionados à sua participação em atividades criminosas, apresentando provas e elementos que corroborem sua narrativa. O MP enfatizou que a colaboração não pode ser usada como uma ferramenta para proteger bens ilícitos ou para fazer confissões parciais que não atendam ao interesse público.
A decisão de Paulo Sérgio foi formalizada na quarta-feira, 6, quando as negociações foram encerradas. O procurador ainda observou que a colaboração premiada deve ser avaliada pela eficácia das informações apresentadas e que, no caso de 'Beto Louco' e 'Primo', não foi possível identificar uma estrutura hierárquica que pudesse tornar a delação útil para desarticular a organização criminosa.
A defesa dos empresários, até o momento, não se manifestou sobre a rejeição da delação pelo MP. A situação dos dois permanece indefinida, pois eles estão foragidos desde agosto do ano anterior, e a Operação Carbono Oculto continua sendo uma das principais frentes de combate ao crime organizado em São Paulo.

