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NASA quer montar uma base na Lua

A NASA pretende levar seres humanos novamente à superfície da Lua em 2028, mas, desta vez, os planos da agência espacial vão muito além das missões rápidas realizadas durante o programa Apollo nas décadas de 1960 e 1970. O objetivo atual é estabelecer uma presença humana permanente no satélite natural da Terra por meio da […]


A NASA pretende levar seres humanos novamente à superfície da Lua em 2028, mas, desta vez, os planos da agência espacial vão muito além das missões rápidas realizadas durante o programa Apollo nas décadas de 1960 e 1970. O objetivo atual é estabelecer uma presença humana permanente no satélite natural da Terra por meio da construção gradual de uma base lunar capaz de sustentar astronautas por longos períodos e, futuramente, permitir a criação de um assentamento contínuo fora do planeta.

O projeto, estimado em aproximadamente US$ 20 bilhões, foi apresentado oficialmente em março e faz parte de uma estratégia mais ampla de exploração espacial ligada ao programa Artemis, iniciativa que busca recolocar astronautas na Lua e preparar futuras missões tripuladas para Marte. Durante uma coletiva de imprensa recente, a agência espacial norte-americana divulgou novos detalhes sobre o desenvolvimento da chamada Moon Base, incluindo as primeiras etapas da construção, empresas privadas envolvidas e tecnologias que serão testadas nos próximos anos.

Segundo o administrador da NASA, Jared Isaacman, a retomada da exploração lunar representa um desafio extremamente complexo, principalmente porque a experiência humana acumulada na superfície lunar ainda é limitada. De acordo com ele, todas as missões Apollo somadas resultaram em aproximadamente 80 horas de atividades extraveiculares realizadas por astronautas na Lua, tempo considerado pequeno diante da ambição atual de construir uma infraestrutura permanente.

Isaacman explicou que a construção da base lunar ocorrerá de maneira gradual e em diferentes fases. Segundo ele, a NASA não pretende iniciar imediatamente a construção de estruturas habitacionais complexas semelhantes às frequentemente retratadas em filmes de ficção científica. O administrador destacou que a Lua é um ambiente tão fascinante quanto hostil, exigindo desenvolvimento tecnológico cuidadoso antes de qualquer ocupação permanente.

As condições ambientais da superfície lunar representam alguns dos maiores obstáculos do projeto. Durante o período iluminado pelo Sol, a temperatura pode ultrapassar 120 graus Celsius. Já nas regiões sem incidência solar, os termômetros podem cair para menos de 150 graus Celsius negativos. Além disso, a Lua não possui atmosfera significativa, o que significa ausência de proteção natural contra radiação espacial, tempestades solares e impactos de micrometeoritos. Esses fatores tornam extremamente difícil a permanência humana prolongada sem sistemas avançados de proteção.

Mesmo diante dessas dificuldades, a NASA afirma que a exploração lunar possui importância científica, tecnológica e estratégica. Segundo Isaacman, o desenvolvimento de tecnologias para sobreviver em ambientes extremos poderá gerar avanços aplicáveis na Terra, além de contribuir para o aprendizado necessário à futura exploração de outros destinos espaciais, especialmente Marte. Ele também destacou que projetos desse porte têm potencial para inspirar novas gerações de cientistas, engenheiros e pesquisadores.

A agência espacial informou que o desenvolvimento inicial da Moon Base será dividido em três grandes fases previstas entre o período atual e os anos posteriores a 2032. A primeira fase, já iniciada, terá como principal objetivo testar tecnologias, validar equipamentos e comprovar que as empresas privadas contratadas conseguem entregar sistemas funcionais e seguros para operações lunares.

Segundo Carlos García-Galán, executivo do programa Moon Base na NASA, a primeira etapa será dedicada à construção de uma capacidade confiável de transporte e operação na superfície lunar. Durante esse período, a agência pretende estudar formas de sobrevivência no ambiente lunar, realizar experimentos científicos e testar sistemas que futuramente poderão compor uma infraestrutura permanente. As fases seguintes deverão focar na construção de estruturas mais complexas e, posteriormente, em habitação contínua.

Para essa primeira fase, a NASA prevê aproximadamente 25 lançamentos espaciais e 21 pousos lunares. A expectativa é transportar cerca de 4 toneladas métricas de carga até a superfície da Lua nesse período inicial, aumentando gradualmente a capacidade logística ao longo das etapas seguintes.

Grande parte do projeto será executada por empresas privadas contratadas pela agência espacial. Durante a apresentação oficial, a NASA detalhou as três primeiras missões da Moon Base e os fornecedores responsáveis pelos equipamentos.

Na missão Moon Base I, a empresa Blue Origin, fundada por Jeff Bezos, será responsável pelo envio do módulo lunar Blue Moon Mark 1 Endurance Lander. A expectativa é que o lançamento ocorra não antes do segundo semestre de 2026. Essa missão levará equipamentos científicos para a região do Polo Sul lunar, área considerada estratégica devido à possibilidade de existência de gelo de água em crateras permanentemente sombreadas.

A missão Moon Base II utilizará um segundo módulo lunar desenvolvido pela empresa Astrobotic, especializada em tecnologia aeroespacial. O equipamento deverá transportar mais de 500 quilogramas de carga até a superfície lunar, incluindo instrumentos científicos e sistemas experimentais.

Já a missão Moon Base III, também prevista para 2026, deverá transportar os primeiros equipamentos selecionados pelo programa de pesquisas científicas lunares da NASA. A missão incluirá ainda cargas desenvolvidas pela Agência Espacial Europeia e pelo Instituto Coreano de Astronomia e Ciências Espaciais.

Além dos módulos de pouso, a NASA contratou as empresas Astrolab e Lunar Outpost para desenvolver veículos de exploração lunar que serão utilizados pelos astronautas do programa Artemis. Os contratos somam aproximadamente US$ 439 milhões. Esses veículos poderão transportar duas pessoas e circular pela superfície lunar a velocidades entre aproximadamente 10 e 14 quilômetros por hora. Os modelos terão capacidade de operação manual pelos astronautas e também funcionamento autônomo, sem necessidade de controle humano direto.

A Blue Origin também será responsável pelo transporte desses veículos até a Lua em um contrato que pode chegar a US$ 280 milhões. A NASA pretende posicionar ao menos um desses veículos na superfície lunar antes da chegada da missão Artemis IV.

Outro projeto anunciado é a missão Moonfall, que prevê o envio de quatro drones para estudar a superfície lunar. Esses equipamentos deverão auxiliar no mapeamento de recursos naturais, identificação de possíveis áreas de pouso e análise de regiões adequadas para futuras instalações permanentes. Os drones também serão usados para delimitar o perímetro inicial da futura base lunar.

A empresa Firefly Aerospace foi contratada para desenvolver a espaçonave responsável pelo transporte desses drones até a Lua. O lançamento da missão está previsto para 2028.

Segundo García-Galán, a primeira fase da Moon Base servirá principalmente como demonstração tecnológica. O objetivo inicial é comprovar que as operações podem funcionar de maneira segura e eficiente antes do avanço para estruturas mais permanentes. A expectativa futura inclui o envio automatizado de robôs e veículos exploradores para crateras e regiões consideradas cientificamente relevantes.

Jared Isaacman também afirmou que a NASA trabalha na criação de uma “economia lunar”, baseada na participação do setor privado. Segundo ele, uma presença humana sustentável no espaço dificilmente poderá depender exclusivamente de recursos públicos e financiamento governamental contínuo. A ideia é desenvolver atividades econômicas capazes de gerar valor científico, tecnológico e comercial suficiente para sustentar operações espaciais de longo prazo.

Especialistas acreditam que recursos como água congelada, minerais raros e tecnologias desenvolvidas em ambientes de microgravidade poderão desempenhar papel importante nesse processo. A água encontrada na Lua, por exemplo, poderia futuramente ser convertida em oxigênio para respiração e hidrogênio para produção de combustível espacial, reduzindo a necessidade de transportar grandes quantidades de recursos da Terra para o espaço.

A construção de uma base permanente na Lua é considerada um dos projetos mais ambiciosos da exploração espacial moderna. Além de representar um possível primeiro passo para missões tripuladas a Marte, a iniciativa também poderá transformar a Lua em um centro de pesquisa científica, testes tecnológicos e operações espaciais de longa duração nas próximas décadas.

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Fonte:Paraná Jornal

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