Na manhã de quarta-feira, 27 de maio de 2026, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) iniciaram uma nova fase da Operação Sem Desconto. A operação busca elucidar um esquema nacional relacionado a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A fase atual conta com a execução de 31 mandados de busca e apreensão, além de oito cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas, todas autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, abrangendo o Distrito Federal e os estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.
O objetivo da PF com essa fase da operação é aprofundar as investigações sobre a prática de crimes diversos contra a Administração Pública, incluindo a formação de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial. As investigações estão sendo organizadas em núcleos regionais que têm como foco distintos grupos e entidades.
Em Brasília, as entidades UNIBAP e ABENPREV estão sendo investigadas por suspeitas de aplicar descontos diretamente em benefícios previdenciários, decorrentes de acordos de cooperação firmados com o INSS nos anos de 2021 e 2023. No estado de São Paulo, a atenção se volta para o grupo conhecido como “Golden Boys”, que inclui entidades como Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, AASAP e ANDAPP.
As investigações em Garanhuns têm como alvo servidores e ex-servidores do INSS. Na capital federal, Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho são mencionados como articuladores relacionados à administração das associações investigadas. Além deles, Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber, Alexandre Caetano e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves também estão sendo identificados como operadores e intermediários do esquema.
Em São Paulo, a prioridade é evitar a dilapidação dos bens dos investigados, após surgirem indícios de vendas aceleradas de imóveis e bens de luxo por preços muito abaixo do mercado. Os investigados incluem Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos, que são considerados responsáveis pela gestão das associações sob investigação. Alguns dos alvos já estão sob medidas cautelares, como uso de tornozeleiras eletrônicas.
Entre os principais alvos em Garanhuns, estão Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria da Superintendência Regional do Nordeste, e Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS na região. As apurações indicam que Rogério possui vínculos com a ABAPEN, que recebeu aproximadamente R$ 70,9 milhões em descontos ao longo de 2024. Desse montante, ao menos R$ 24,7 milhões foram atribuídos a empresas ligadas a Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, atualmente preso e apontado como o principal lobista no esquema de desvio de recursos destinados a aposentados e pensionistas.

