O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na quinta-feira, 2, a aprovação do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), que prevê um total de R$ 3,5 trilhões em investimentos no setor energético ao longo da próxima década. Destes recursos, aproximadamente R$ 2,8 trilhões, o que corresponde a 80%, será alocado para os segmentos de petróleo e gás.
Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética e aprovado pelo Ministério de Minas e Energia, o plano tem como objetivo expandir tanto a oferta quanto a demanda por energia, servindo também como um guia para investimentos futuros e formulação de políticas públicas no setor energético.
O ministro Alexandre Silveira destacou que o plano reafirma o compromisso do Brasil com um planejamento energético que é sólido, transparente e alinhado aos desafios da transição para uma economia de baixo carbono. O governo também enfatiza que o Brasil manterá uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, com a previsão de que as fontes renováveis representem 51% da oferta interna de energia até 2035. Para a geração de eletricidade, o plano estima que mais de 85% da energia será produzida a partir de fontes renováveis, com um foco na expansão da geração solar e eólica.
A aprovação do PDE 2035 ocorre em um contexto em que o presidente Lula, durante a Cúpula de Líderes da COP30 em Belém, defendeu a necessidade de reduzir a dependência mundial de combustíveis fósseis. Em seu discurso, ele afirmou que o modelo de desenvolvimento atual, baseado no uso intensivo desses combustíveis, não é mais viável. Lula também mencionou a importância de diversificar as matrizes energéticas e acelerar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis.
Na COP30, o presidente ressaltou que os incentivos financeiros muitas vezes vão contra a sustentabilidade, citando o compromisso de 65 dos maiores bancos do mundo em conceder US$ 869 bilhões para o setor de petróleo e gás até 2025. Com a aprovação do novo plano, o governo brasileiro destinou R$ 2,8 trilhões para o setor, reforçando o investimento em combustíveis fósseis.
Entre os compromissos discutidos por Lula na Cúpula, estavam a triplicação da geração de energia renovável, a duplicação da eficiência energética até 2030, o aumento do uso de combustíveis sustentáveis e a aceleração do processo de descarbonização, que visa a redução das emissões de gases de efeito estufa através da substituição de fontes de energia poluentes por alternativas menos impactantes ao clima.

