Delcy Eloína Rodríguez Gómez não é uma figura acidental, mas a herdeira da aristocracia civil bolivariana. Filha do mártir Jorge Antonio Rodríguez, ela combina capital simbólico revolucionário com uma formação europeia que a distingue da elite militar. Agora presidente interina sob a chancela do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela depois da captura de Maduro, Delcy emerge como o pivô de uma transição de alto risco, operando na interseção entre a retórica anti-imperialista e o pragmatismo da diplomacia financeira internacional.
No tabuleiro de Caracas, ela governa em simbiose absoluta com seu irmão, Jorge Rodríguez, formando um bloco tecnocrata que se contrapõe à ala radical e ideológica de Diosdado Cabello. Sem comando direto de tropas, sua sobrevivência política depende do pêndulo de Vladimir Padrino López, pois o ministro da Defesa atua como o fiador dos militares chavistas.
Sua liderança, contudo, é assombrada pelas delações de Hugo El Pollo Carvajal e pela iminente colaboração de Maduro em solo norte-americano. Tais testemunhos são venenos de ação lenta que podem expor redes de financiamento ilícito, comprometendo sua viabilidade como interlocutora.
Delcy caminha sobre uma corda bamba geopolítica: depende do aparato de inteligência cubano para monitorar conspirações militares internas, mas qualquer transição que mantenha o cordão umbilical com a ditadura cubana será vista como uma mudança cosmética por Washington.


