O tabuleiro global de 2026 evidencia que a criação do BoP não foi um ato impulsivo, mas uma leitura realista sobre a obsolescência das instituições do século XX. A burocracia europeia se apega a dogmas, enquanto Trump identificou a falência terminal da ONU, um fórum de paralisia deliberativa e parasitismo burocrático.
Este vácuo institucional já impulsionou a expansão dos Brics. Historicamente, o bloco consolidou-se mais como um sintoma de descontentamento com a hegemonia do G7 do que como uma aliança integrada. Contudo, a estratégia da política externa americana agora demonstra inteligência ao explorar as fissuras dessa arquitetura idealizada pela China.
O movimento americano enfraquece o Brics ao oferecer o que Pequim nunca pôde: acesso imediato e direto ao epicentro do poder econômico e militar, sem as amarras diplomáticas. Ao instituir uma taxa de US$ 1 bilhão por um assento permanente, Trump não está apenas 'vendendo influência', mas realizando uma filtragem de relevância. Ele transforma a geopolítica em um ambiente de private equity, onde o aporte financeiro garante um stakeholder com voz ativa.
Este jogo altera a ordem internacional de forma irreversível. Ao contornar a ONU, retira-se da Rússia e da China sua ferramenta mais potente: o poder de veto. No BoP, o poder emana da capacidade de execução e recursos. Se os grandes fluxos de capital e garantias de segurança passarem pelo 'balcão' do BoP, as cúpulas do Brics e as assembleias da ONU esvaziam-se.

