O ano de 2026 está marcado pela expectativa de inflação convergindo para o centro da meta, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) previsto para fechar em 3,9%. No entanto, as preocupações econômicas do país se concentram no campo fiscal. A Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que é necessário um superávit primário superior a 2% do PIB para estancar o crescimento da dívida pública.
Esse superávit é considerado fundamental para mudar o perfil do gasto público, possibilitando um aumento nos investimentos em infraestrutura e ciência e tecnologia. Porém, a IFI acredita que as reformas estruturais necessárias estão adiadas para 2027, sendo um desafio para o novo mandato presidencial, já que essas modificações costumam ser difíceis em ano eleitoral.
Para 2026, as metas fiscais são mais modestas, visando alcançar um déficit primário zero, considerando as exclusões de despesas permitidas pela legislação. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou 78,7% do PIB em dezembro de 2025, um aumento em relação ao ano anterior, impulsionado pelo crescimento das despesas com juros.
O Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 reflete as dificuldades na gestão da dívida, com o objetivo de rebaixar custos e alongar prazos de vencimento. A IFI destaca que a elevada taxa básica de juros e a falta de ancoragem nas expectativas fiscais e externas complicam essa trajetória. O Tesouro pretende que, até 2035, os títulos remunerados pela Selic representem apenas 23% do estoque, uma queda significativa em relação aos 48,3% de 2025.

