Os Investimentos do Rioprevidência, fundo de previdência do Estado do Rio, em fundos geridos pelo Banco Master, resultaram em perdas de até 90%. Esses dados foram revelados em documentos encaminhados pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e em relatórios do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Os relatórios indicam que os aportes foram direcionados a fundos recém-criados, com perfil de risco inadequado para a gestão de recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais.
A investigação da PF destaca que os repasses foram realizados sem análises técnicas adequadas, apresentando concentração excessiva de risco e utilização de intermediários, o que resultou na elevação de comissões e na ocultação do pagamento de vantagens indevidas. A PF descreveu as operações como um “almanaque de irregularidades”, evidenciando a gravidade da situação.
Estimativas indicam que o Rioprevidência investiu aproximadamente R$ 3 bilhões em letras financeiras do Banco Master e em fundos associados à instituição. A defesa do ex-governador Cláudio Castro afirmou que não houve relação pessoal indevida entre Castro e Vorcaro, alegando que os encontros ocorreram em agendas oficiais.
Entre os casos investigados, destaca-se o fundo Texas I, que recebeu um aporte de R$ 150 milhões entre junho e julho de 2025. Em dezembro do mesmo ano, o valor de mercado das cotas despencou em 90%, reduzindo o investimento a cerca de R$ 15 milhões. A desvalorização foi atribuída à alta concentração do patrimônio do fundo, que alocava 96% de seus recursos em ações da Ambipar.
No momento do investimento, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já estava investigando o fundo Texas e outros por suspeita de manipulação de mercado envolvendo ações da Ambipar. A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários da CVM constatou que, entre junho e agosto de 2024, fundos agiram de maneira coordenada com o acionista controlador da Ambipar na compra em massa de ações.
O TCE-RJ também identificou indícios de desvio de finalidade na gestão dos recursos, ressaltando a falta de transparência e o prazo excessivo para resgates das aplicações no Fundo Revolution, que totalizava R$ 415 milhões até julho de 2025. Os técnicos do TCE-RJ informaram que o Rioprevidência foi o primeiro investidor do Fundo Revolution, realizando dois aportes em sua data de início, 23/05/2025, que totalizaram R$ 100.000.000,00, novamente em um fundo administrado pelo Banco Master.

