Para evitar o represamento da produção e perdas no estoque perecível, avicultores cederam às pressões dos compradores e flexibilizaram as cotações –
O mercado de ovos registrou desvalorização nas cotações em diversas regiões brasileiras no final de setembro. A retração do consumo doméstico, comportamento tradicional para a segunda metade do mês, quando o poder de compra das famílias naturalmente diminui, desidratou o ritmo de vendas e aumentou consideravelmente o poder de barganha da ponta compradora. Para evitar o represamento do produto nas granjas, os avicultores cederam às pressões do mercado e flexibilizaram os preços negociados.
Nesta última semana de setembro, a perda de fôlego do consumo interno levou atacandistas e distribuidores a exigirem descontos mais agressivos. Esse movimento ocorreu em meio a um cenário de oferta heterogênea, que já exibe sobra pontual de mercadoria em praças específicas do país.
A sazonalidade desfavorável reduziu a necessidade de reposição imediata de produtos no varejo durante a segunda quinzena. Com o mercado enfraquecido, a ponta compradora intensificou as exigências por preços menores e volumes reduzidos por pedido no mercado spot. De acordo com dados publicados pelo portal Agrimídia, com informações do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os produtores rurais mostraram-se dispostos a conceder margem nas cotações para assegurar o escoamento diário de uma mercadoria altamente perecível e evitar perdas maiores.
A situação dos estoques varia de forma regionalizada pelo Brasil. Enquanto algumas praças produtoras conseguem manter o volume sob controle, outras já relatam sobras pontuais de lotes de ovos acumulados nas instalações das granjas, elevação que traz risco de perda financeira para os setores mais ofertados.
A análise do comportamento das forças que movimentam a cadeia produtiva neste encerramento de mês aponta para quatro frentes principais:
– Demanda consumidora: Apresenta retração típica da segunda quinzena decorrente do orçamento apertado no varejo, provocando um ritmo de escoamento lento na ponta final.
– Postura dos compradores: Caracteriza-se pela intensificação da pressão por descontos e pedidos de menor porte, garantindo maior poder de negociação aos compradores.
– Cenário de estoques: Apresenta divergência entre regiões (algumas com volumes controlados e outras com excessos), gerando risco de acúmulo em praças com maior oferta.
– Postura dos produtores: Marcada pela flexibilização das cotações e concessão pontual de margem devido à extrema necessidade de escoar a produção antes do deterioramento dos lotes.
A queda observada no período é vista como reflexo direto da sazonalidade no varejo. Diante desse quadro, a expectativa do setor produtivo volta-se para a virada do mês e a entrada da primeira quinzena de outubro, período em que o pagamento de salários e a consequente injeção de liquidez na economia tendem a renovar o fluxo no varejo, reaquecer a demanda e permitir a recuperação das margens de lucro da avicultura de postura.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
– Pressão nas Cotações e Demanda Lenta: A perda do poder de compra das famílias no fim do mês reduziu o consumo no varejo, levando distribuidores a pressionar por descontos e forçando os produtores a reduzir preços para garantir o escoamento diário.
– Estoques Heterogêneos pelas Praças: A situação da oferta varia regionalmente no país, onde enquanto algumas praças mantêm os volumes sob controle, outras já enfrentam sobras pontuais de ovos acumulados nas granjas.
– Expectativa de Recuperação em Outubro: A avicultura de postura projeta um reaquecimento da demanda e das margens de lucro a partir da primeira quinzena de outubro, impulsionado pela entrada dos salários e pela maior liquidez no mercado doméstico.
Fonte:A Rede PG

