A Purdue Pharma, uma farmacêutica dos Estados Unidos, aceitou um acordo judicial que a obriga a pagar US$ 8 bilhões, admitindo sua culpa na crise de opioides que afeta o país. A decisão foi divulgada na terça-feira, 28, após um longo processo judicial que expôs as práticas da empresa e de sua proprietária, a família Sackler, que incluiu a promoção do OxyContin, um analgésico de forte ação, sem divulgar adequadamente os riscos de dependência e o pagamento de propinas a médicos para aumentar a prescrição do medicamento.
Com este acordo, a Purdue Pharma será desativada e dará origem à Knoa Pharma, uma nova companhia que irá herdar seus ativos e conhecimentos, com o objetivo de atuar na luta contra a crise gerada pelo uso de opioides. A transição está programada para ocorrer na sexta-feira, 1º.
Durante o processo judicial, algumas vítimas do uso de opioides solicitaram que o acordo fosse rejeitado e pediram sanções criminais contra os membros da família Sackler. Entretanto, a decisão não estabeleceu punições individuais para os proprietários da empresa, o que gerou descontentamento entre os que buscaram justiça.
Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) indicam que entre 1999 e 2022, aproximadamente 727 mil pessoas faleceram nos Estados Unidos devido a overdoses relacionadas ao uso de opioides, incluindo tanto substâncias legais quanto ilegais. Este número reforça a gravidade da crise que a Knoa Pharma agora se propõe a enfrentar.
O caso da Purdue Pharma e o recente acordo judicial refletem as consequências de décadas de práticas controversas na indústria farmacêutica, que não apenas geraram lucros bilionários, mas também contribuíram para uma das maiores crises de saúde pública nos Estados Unidos.

