O Departamento de Estado dos Estados Unidos reagiu à declaração do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao classificar como "absurdo" o temor de que a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas possa justificar uma ação militar no Brasil. A posição foi divulgada em resposta a um documento encaminhado pelo Itamaraty à Câmara dos Deputados.
A diplomacia dos EUA esclareceu que a classificação das facções visa intensificar o combate ao narcoterrorismo e não tem a intenção de justificar intervenções em território brasileiro. Em nota, o Departamento de Estado afirmou que Os Estados Unidos estão adotando medidas decisivas dentro de suas competências soberanas para enfrentar grupos criminosos.
Na correspondência enviada ao portal Metrópoles, o governo americano também rechaçou a ideia de que alegações sobre possíveis ações militares possam encorajar organizações violentas. O documento do Itamaraty, assinado por Vieira, expressou preocupações sobre como a classificação unilateral poderia impactar as instituições brasileiras, especialmente nas áreas financeira, migratória e penal.
Vieira destacou, ainda, que a legislação antiterrorismo dos EUA permite uma ampla margem para a adoção de ações que poderiam resultar no uso da força militar contra o Brasil, o que, segundo ele, traria consequências para cidadãos e empresas brasileiros.
Os Estados Unidos anunciaram a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas estrangeiras em maio, com a medida oficializada em 5 de junho pelo governo do presidente Donald Trump. Essa ação faz parte de uma estratégia mais ampla para combater o crime organizado transnacional.
Recentemente, Washington também impôs sanções a dois cidadãos brasileiros, três empresas localizadas no Brasil e uma em Portugal, sob a acusação de envolvimento em uma rede de lavagem de dinheiro relacionada ao PCC. De acordo com informações do governo norte-americano, essa rede movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes de atividades ilícitas, incluindo o tráfico internacional de drogas.

