A retirada dos Estados Unidos do Golfo Pérsico, conforme ameaçado por Donald Trump, representa uma mudança significativa na política americana de garantir a segurança das rotas marítimas. Essa medida, em meio à tensão com o Irã, poderia impactar a movimentação de quatro quintos do comércio global, avaliado em US$ 35 trilhões. A instabilidade no Estreito de Ormuz já gera preocupações sobre a confiança no papel dos EUA como protetor das rotas marítimas.
O tráfego de navios pelo estreito de Ormuz caiu drasticamente, com apenas alguns navios transitando diariamente, em comparação aos cerca de 135 antes do conflito. O Irã, por sua vez, tem facilitado a passagem de suas próprias exportações, aumentando a incerteza sobre a segurança das rotas e elevando os preços do petróleo, o que resulta em maior volatilidade nos mercados de energia.
Desde a Segunda Guerra Mundial, a Marinha dos EUA tem atuado para prevenir ataques e garantir a liberdade de navegação nos oceanos. Contudo, o vice-almirante reformado John W. Miller alertou que a falta de proteção em Ormuz pode comprometer a navegação global. A crescente desconfiança em relação à capacidade dos EUA de manter a segurança nas águas internacionais é uma preocupação para autoridades europeias e asiáticas.
Além da situação em Ormuz, a campanha do governo Trump contra lanchas rápidas suspeitas de tráfico de drogas e a resposta da Marinha a incidentes no mar levantam dúvidas sobre o compromisso dos EUA em proteger as regras de navegação. O Pentágono não se manifestou sobre o compromisso em garantir a liberdade de navegação, limitando-se a informar que opções estão sendo apresentadas ao presidente.

