O Santander avalia que o crédito rural continuará a ser seletivo em 2026, refletindo um ajuste estrutural no agronegócio brasileiro após o ciclo de alavancagem pós-pandemia. O banco espera que sua carteira no setor permaneça estável ou cresça no máximo 5%, encerrando 2025 sem crescimento.
Carlos Aguiar, diretor de Agronegócio do Santander, observou que uma análise mais precisa do comportamento do crédito só poderá ser realizada a partir de março e abril, com o início do fluxo financeiro da safra. Ele não prevê um repagamento das dívidas, mas a expectativa é que haja pagamento de juros e retomada do diálogo entre os produtores e o banco.
A carteira do Santander no agronegócio ficou praticamente estável em 2025, com uma troca de clientes problemáticos por aqueles mais ajustados. O diretor ressaltou que, enquanto outros bancos projetavam crescimento de 10% a 15%, o Santander manteve uma previsão conservadora.
Aguiar divide os clientes em três grupos: aqueles que não se alavancaram, os que precisam de prazo para reorganizar suas finanças e os altamente endividados. A crise na rentabilidade provocou uma nova percepção de risco no sistema financeiro, tornando inviáveis operações apenas com penhor de safra, e a exigência de garantias reais passou a ser uma norma entre os bancos e cooperativas.

