Na tentativa de mitigar essa crise de confiança, alguns ministros do STF têm adotado decisões que são apresentadas à mídia como iniciativas de moralização e transparência. No entanto, muitos acreditam que as práticas internas da Corte continuam essencialmente inalteradas. Uma das ações mais notórias foi a liminar de Flávio Dino, que limitou o uso da aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados. Anteriormente, essa medida era aplicada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em casos graves, como corrupção e assédio sexual, permitindo que juízes mantivessem seus salários enquanto estavam afastados.
A decisão de restringir a aposentadoria compulsória foi divulgada como uma "correção histórica", mas na prática, dificultou a punição de magistrados por irregularidades. Agora, para que o CNJ aplique essa sanção, será necessário seguir procedimentos mais longos e complexos, que podem envolver a Advocacia-Geral da União e uma nova avaliação pelo próprio STF.
Apesar dos anúncios destinados a melhorar a imagem da Corte, nenhuma das ações abordou diretamente as suspeitas que envolvem ministros mencionados nas revelações sobre Vorcaro. Por exemplo, Dias Toffoli, que possui uma participação em uma empresa que vendeu parte do Tayayá Resort, e a mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, que tinha um contrato de R$ 129 milhões com um banco, seguem sem investigação interna por parte do Supremo.
Os dados de opinião pública revelam que, apesar das tentativas de promover uma imagem de transparência e moralidade, a desconfiança em relação ao STF continua alta. A maioria da população ainda não acredita na Corte, indicando que as medidas adotadas não conseguiram reverter a percepção negativa que se consolidou ao longo dos últimos anos.

