A Suprema Corte dos EUA decidiu pôr fim às tarifas sobre importações estabelecidas pelo presidente Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A medida pode obrigar o governo americano a devolver cerca de US$ 175 bilhões arrecadados mediante a cobrança, gerando consequências tanto para a inflação local quanto para o câmbio brasileiro.
Embora a remoção dos custos adicionais de importação sugira redução imediata nos preços para consumidores, especialistas avaliam que o impacto não será uniforme. Empresas podem optar por recompor margens de lucro em vez de transferir o benefício aos preços finais, e a dinâmica dependerá da concorrência de cada setor do mercado. O processo de ajuste será gradual, influenciando setores com estoques e contratos firmados sob a antiga estrutura tarifária.
A devolução dos recursos aos importadores também pode atuar como estímulo fiscal. A injeção direta de recursos na economia americana deve influenciar a demanda, mas ainda há incertezas sobre a forma como o Federal Reserve (Fed) reagirá a esses movimentos. O banco central mantém cautela frente a cenários econômicos instáveis, podendo adotar uma postura de observação antes de tomar decisões.
No Brasil, a queda das tarifas no mercado externo e eventuais oscilações fiscais nos Estados Unidos poderão influenciar a cotação do dólar. A decisão judicial altera a percepção de risco sobre a dívida americana, com possíveis pressões na curva de juros local, enquanto o câmbio é observado por suas repercussões indiretas nas empresas brasileiras que operam no país ou dependem de exportações.

