No Brasil, câmeras equipadas com inteligência artificial estão revolucionando o monitoramento de motoristas de frotas. Esses dispositivos são capazes de identificar em tempo real comportamentos de risco, como fadiga, uso de celular, excesso de velocidade e falta de cinto de segurança. Com isso, geram alertas automáticos na cabine antes que esses comportamentos possam resultar em acidentes.
Paulo Buriti, gerente corporativo da Corpvs, empresa especializada em telemetria e monitoramento operacional, destacou em uma recente entrevista que a tecnologia é crucial para a segurança no transporte. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que aproximadamente 90% dos acidentes de trânsito estão relacionados a falhas humanas. Buriti observa que mesmo com a monitoração, muitas pessoas ainda cometem infrações, surpreendendo a equipe de monitoramento.
As câmeras utilizam inteligência artificial embarcada, o que permite que emitam avisos de voz instantâneos ao detectar infrações, sem depender de conexão com uma central. Além disso, o sistema é capaz de calcular a distância do veículo em relação ao que está à frente e a velocidade atual, alertando sobre riscos de colisão.
A tecnologia não se limita apenas à prevenção de acidentes. Sistemas de roteirização baseados em IA mapeiam áreas de risco, utilizando dados históricos para determinar quais rotas e horários devem ser evitados pelos veículos. Buriti também mencionou a funcionalidade de contagem automática de ocupantes na cabine, que informa à empresa caso o número de passageiros mude.
O cenário de segurança no Brasil é alarmante, com 10.478 roubos de carga registrados em 2024, gerando um prejuízo estimado em R$ 1,2 bilhão, conforme a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). No primeiro semestre de 2025, houve um crescimento de 24,8% nos casos em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Nstech.
A telemetria utilizada nos caminhões tem suas raízes na Fórmula 1, onde a coleta de dados em tempo real é essencial. Essa tecnologia, ao ser adaptada para frotas comerciais, passou a identificar práticas de direção inadequadas, como frenagens bruscas e trocas erradas de marcha. Buriti ressalta que a evolução levou à implementação de câmeras com inteligência artificial, que é o estágio atual do monitoramento.

