Um mapa tridimensional inédito da atmosfera superior de Urano foi apresentado por uma equipe internacional de cientistas. O estudo, publicado recentemente, mostra como partículas carregadas eletricamente e o campo magnético do planeta interagem para produzir auroras, um fenômeno irregular devido à inclinação e posição descentrada do campo em relação ao eixo de rotação do gigante de gelo.
Os pesquisadores usaram o Espectrógrafo de Infravermelho Próximo (NIRSpec), equipamento do telescópio James Webb, para analisar a luz emitida na região do planeta. Através dessa observação, foi possível registrar variações de temperatura e a presença de íons em diferentes altitudes. As medições ocorreram durante a rotação de Urano, destacando mudanças conforme áreas variadas eram analisadas.
Essa é a primeira vez que tal análise é feita em três dimensões, oferecendo dados essenciais sobre como a energia circula nas camadas superiores. Além disso, os resultados reforçam a compreensão de que a atmosfera de Urano sofre um esfriamento progressivo desde os registros obtidos pela sonda Voyager 2 em 1986.
O telescópio James Webb continua revelando informações detalhadas sobre objetos distantes, como o planeta Urano, mesmo quando localizados a milhões ou bilhões de quilômetros da Terra. A publicação reforça ainda a importância de estudar gigantes de gelo, inclusive fora do Sistema Solar, para compreender melhor os processos atmosféricos em mundos semelhantes.

