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Tentativas de fraude de identidade cresceram 32,9% no Brasil em 2026, e os golpistas já copiam até a nova Carteira de Identidade Nacional

Tentativas de fraude de identidade cresceram 32,9% no Brasil em 2026, e os golpistas já copiam até a nova Carteira de Identidade Nacional O Brasil registrou quase 3 milhões de tentativas de fraude de identidade em cadastros de empresas no primeiro semestre de 2026, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian. É uma tentativa […]

Tentativas de fraude de identidade cresceram 32,9% no Brasil em 2026, e os golpistas já copiam até a nova Carteira de Identidade Nacional
O Brasil registrou quase 3 milhões de tentativas de fraude de identidade em cadastros de empresas no primeiro semestre de 2026, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian. É uma tentativa a cada 5,5 segundos, e o volume cresceu 32,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Por trás de boa parte desses casos está um documento adulterado: uma identidade com a foto trocada, um comprovante com o endereço editado, um atestado com o nome de outra pessoa.
O que mudou foi a facilidade. Com editores de imagem gratuitos e ferramentas de inteligência artificial, alterar um nome, uma data ou um valor leva minutos e não deixa marca visível. Um relatório global da Entrust mostrou que as falsificações digitais já respondem por 35% das fraudes documentais, contra 29% na média de 2022 a 2024.
Nem a identidade nova escapa
Entre maio e junho, a Serasa identificou mais de 18 modelos adulterados da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) usados como molde em um esquema apelidado de “kit laranja”. O golpista mantém a estrutura do documento e troca só nome, foto e dados, gerando várias identidades falsas a partir de um único arquivo. CIN e DNI adulterados já aparecem em 23,1% das tentativas de fraude com documentos analisadas pela empresa.
Isso não significa que a CIN seja frágil: segundo a Serasa, o risco dela é até 77% menor que o da CNH. Significa que o fraudador acompanha as mudanças. “Olhar apenas para a aparência do documento já não é suficiente”, afirma Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.
O olho humano erra mais do que parece
Pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, mostraram fotos originais e manipuladas a 707 pessoas. Os participantes reconheceram 60% das imagens alteradas e, mesmo quando desconfiaram, só conseguiram apontar onde estava a alteração em 45% dos casos.
Agora imagine esse desafio multiplicado por centenas de documentos por dia, na fila do RH, na secretaria de uma faculdade em época de matrícula ou no setor de crédito de uma loja. O caso dos atestados médicos dá a dimensão do problema: ao criar sua plataforma de validação, o Conselho Federal de Medicina citou estimativa de que cerca de 30% dos atestados emitidos no país sejam falsos, com prejuízo de quase R$ 3 bilhões em faltas ao trabalho.
Como a tecnologia separa o verdadeiro do falso
A resposta das empresas tem sido trocar a conferência visual por verificação em camadas. Ferramentas de antifraude documental analisam o próprio arquivo: com que programa ele foi criado, se há algo sobreposto ao conteúdo original, se uma região da imagem perdeu o “grão” natural do papel. Depois, conferem as informações na fonte oficial, como o registro do médico no conselho de classe ou a nota do Enem no Inep.
As duas frentes se completam. Um documento verdadeiro alterado depois de emitido é pego pela análise do arquivo. Um documento visualmente perfeito, mas fabricado com dados inventados, é desmentido pela fonte.
Quem recebe documentos em volume pode começar por três cuidados:
Não aprovar nada só pela aparência: cruzar os dados entre documentos e com o cadastro da empresa.
Consultar a fonte oficial sempre que ela existir, em vez de confiar no papel.
Não avisar quem enviou um documento suspeito, para não ensinar o golpista a ajustar a próxima tentativa.
Automação para o volume, pessoas para as exceções
A validação automatizada não elimina o analista, mas muda o trabalho dele. A tecnologia aprova o que passa em todas as verificações e separa para revisão humana apenas os casos com indício, já com as evidências apontadas.
Empresas de validação automática de documentos com inteligência artificial, como a Dynadok, afirmam reduzir até 95% do tempo gasto nessa tarefa. Entre os cases divulgados pela empresa, a Unicesumar diminuiu de 25 para 10 o número de pessoas na análise de documentos do Prouni, e a Vitru Educação passou a ter 9 em cada 10 inscrições validadas pela IA.
A conta não fecha para todo mundo. O próprio comparativo entre validação manual e automação publicado pela empresa reconhece que operações com poucas dezenas de documentos por mês se viram bem com um processo manual organizado. Para quem lida com milhares de páginas, vale simular o cenário em uma calculadora de custo da validação documental antes de decidir.
Com uma tentativa de fraude a cada poucos segundos, conferir documento no olho virou aposta. A proteção agora depende de saber de onde o arquivo veio e se o que ele diz bate com a fonte oficial.

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